E agora, senhor Trump?

Depois de um jantar na noite de ontem, a agenda do encontro entre o presidente americano Donald Trump e o líder chinês Xi Jinping, na Flórida, previa para esta sexta-feira a discussão de temas mais sensíveis, como comércio e Coreia do Norte. Mas ninguém esperava o que estava por vir.

Na noite de ontem, Trump anunciou uma série de ataques contra o regime do ditador russo Bashar al-Assad, acusado de ter usado armas químicas contra civis na terça-feira. O alvo foi a base aérea de al-Shayrat, de onde teriam partido os aviões que realizaram os ataques. Foram lançados 59 mísseis, que teriam deixado seis mortos.

Em entrevista, Trump afirmou era inaceitável que “até lindos bebês” tenham sido cruelmente assassinados. “Está nos interesses vitais dos Estados Unidos prevenir e deter o uso de armas químicas letais”, afirmou Trump. “Convoco todas as nações civilizadas na busca pelo fim do banho de sangue na Síria e no combate ao terrorismo”.

O que acontecerá hoje no encontro com Xi, e nas discussões com outros países, é um enorme ponto de interrogação. Ontem, a chancelaria chinesa foi tímida ao afirmar que é urgente evitar que a situação se deteriore na Síria e que se opõe ao uso de armas químicas sobre qualquer país. Historicamente, junto com a Rússia, a China se opôs a sanções contra o ditador sírio, Bashar al-Assad.

A reação do presidente russo, Vladimir Putin, aliado de Assad, é uma das grandes incertezas daqui para frente. Os americanos afirmaram, na noite de ontem, que nenhum soldado russo foi vítima do ataque. O governo russo afirmou que viu a ação americana como uma agressão a um estado soberano que ameaça a segurança global. Disse ainda que o ataque foi planejado com antecedência e que o episódio com armas químicas foi apenas uma desculpa para Trump mostrar seu poder de fogo.

A Turquia, em lado oposto no confronto, elogiou a ação de Trump e pediu a formação de um governo de transição na Síria. França e Alemanha afirmaram que continuarão os esforços via Nações Unidas. O governo britânico disse que a ação uma resposta apropriada ao ataque com armas químicas.

E o que vem depois? Se mantiver a estratégia militar na Síria, Trump corre o risco de iniciar um confronto com a Rússia, que segue afirmando que não foi Assad o responsável pelos ataques químicos. A guerra na síria não deve terminar tão cedo, já que há pelo menos quatro grupos em conflito. De qualquer forma, Trump consegue, com o ataque, marcar a diferença de seu governo com o de Barack Obama, que relutou em agir contra Assad. Também tira força de uma das principais acusações contra sua administração — de ser conivente com o russo Vladimir Putin. A sexta-feira deve ser de mais perguntas do que respostas.

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