Escassez de remédios em hospitais venezuelanos chega a 80%

O estudo apontou ainda que quase 90% dos serviços de emergência nos hospitais registram "falhas intermitentes"

Oito em cada dez insumos e remédios estão em falta nos hospitais venezuelanos – revelou nesta terça-feira (23) uma pesquisa realizada por organizações médicas e acadêmicas, em meio à severa crise de abastecimento que afeta o país.

A falta de material médico-cirúrgico beira os 81%, enquanto 76% dos medicamentos necessários para tratar os pacientes em hospitais públicos não estão disponíveis, informou o deputado opositor José Manuel Olivares.

O parlamentar apresentou os resultados da Pesquisa Nacional de Hospitais 2016, a qual monitorou os suprimentos de 242 centros de atenção em todo o país e foi elaborada pelas organizações Médicos pela Saúde e Observatório Venezuelano de Saúde. Este último é ligado à Universidade Central da Venezuela.

O estudo apontou ainda que quase 90% dos serviços de emergência nos hospitais registram “falhas intermitentes”, enquanto 70% dos serviços de nutrição relatam problemas.

Olivares advertiu que o desabastecimento alcança 87% quando se trata de cateteres e sondas, “o que explica a existência de listas de espera em todos os hospitais” para as intervenções cirúrgicas.

“Os centros assistenciais estão em emergência, e o governo se nega a receber a ajuda necessária para sua ativação”, assegurou Olivares, que também é presidente da Comissão de Saúde do Parlamento, de maioria opositora.

Em meados de junho, o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) declarou inconstitucional uma lei de saúde aprovada pela maioria opositora no Legislativo para exigir do governo Nicolás Maduro que autorize a entrada de ajuda humanitária no país.

O presidente da Confederação Médica Ibero-americana e do Caribe, Rubén Tucci, disse hoje (23) a jornalistas em Caracas que “estão faltando muitos insumos na Venezuela” e que estão buscando “conseguir que, em conjunto, todos os atores que tenham a ver com a Saúde (…) possam colaborar”.

Em 14 de agosto passado, o embaixador da Venezuela na ONU, Rafael Ramírez, rejeitou a qualificação da situação de “crise humanitária” feita pelo secretário-geral do organismo, Ban Ki-moon.

Maduro alega que 80% do desabastecimento de alimentos e remédios – segundo cálculos independentes – se deve a uma “guerra econômica” empreendida pelo setor privado para desestabilizá-lo, assim como à queda dos preços do petróleo.

Já oposição e empresários garantem que o problema está na produção, como consequência do manejo dos preços e da falta de dólares para importar dentro do duro controle de divisas em vigor desde 2003.

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