Espionagem de Merkel pode ter sido mais ampla que se pensava

A reportagem também cita uma tensa reunião entre Merkel, o presidente francês, Nicolas Sakrkozy, e o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, em 2011

A espionagem pela Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos das atividades de Angela Merkel foi mais extensa do que se pensava, e incluiu encontros com o secretário-geral da ONU, informou um jornal alemão, citando documentos publicados pelo WikiLeaks.

Segundo o Süddeutsche Zeitung (SZ), a NSA espionou um encontro entre Merkel e Ban Ki-moon, no qual a chefe do governo alemão disse esperar que a União Europeia seguisse tendo um papel predominante na luta contra as mudanças climáticas, antes da fracassada cúpula do clima de Copenhague em 2009.

O fundador do WikiLeaks, Julian Assange, disse em um comunicado que este novo vazamento mostra que “as reuniões privadas do secretário-geral da ONU Ban Ki-moon sobre como salvar o planeta das mudanças climáticas foram ‘grampeadas’ por um país que tenta proteger as grandes multinacionais do petróleo”.

A Alemanha descobriu em 2013 pelas revelações do ex-consultor da NSA Edward Snowden um suposto sistema de vigilância em massa de conversas telefônicas e de comunicações na internet que afetaria os cidadãos alemães, mas também a própria chanceler, que se estendeu durante vários anos.

“A espionagem entre amigos é algo que não se faz”, disse Merkel na época.

As relações entre os dois países foram abaladas por estas acusações, que atingiram duramente a Alemanha, um país muito sensível ao tema da espionagem pelos abusos do Estado durante o governo dos nazistas e a RDA.

A reportagem também cita uma tensa reunião entre Merkel, o presidente francês, Nicolas Sakrkozy, e o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, em 2011.

No encontro, Merkel e Sarkozy pressionaram Berlusconi para que cortasse a dívida pública e fortalecesse o setor bancário italiano.

O WikiLeaks, fundado pelo australiano Julian Assange em 2006, vazou 500.000 documentos classificados sobre Iraque e Afeganistão, assim como 250.000 comunicações diplomáticas, provocando a ira dos Estados Unidos, que pediram a extradição do homem.

O ciberativista australiano está desde junho de 2012 na embaixada equatoriana em Londres, quando pediu asilo a Quito para evitar ser extraditado à Suécia. A procuradoria sueca quer interrogá-lo por um suposto estupro cometido em 2010 e que ele nega.

Estocolmo e Quito chegaram em dezembro a um acordo para que o interrogatório ocorresse na embaixada, mas um mês depois a procuradoria sueca anunciou que a equatoriana havia rejeitado seu pedido por vício de forma.

O australiano sempre temeu que a Suécia fosse apenas uma escala em direção ao seu destino final, os Estados Unidos, cujo governo gostaria de puni-lo pela publicação dos documentos pelo WikiLeaks.

O homem que forneceu a ele muitos destes documentos, o soldado Chelsea Manning, cumpre uma condenação de 35 anos de prisão.

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