Esquerda se aproxima de formar governo em Portugal

O Partido Socialista argumentou que pode formar um governo apoiado por uma maioria de esquerda que respeitaria as regras orçamentárias da Europa

Lisboa – O partido português Bloco de Esquerda finalizou as conversas com o Partido Socialista, mais moderado, com o objetivo de criar um governo alternativo, e o primeiro-ministro de centro-direita reconheceu nesta sexta-feira que pode ser deposto do cargo.

A legenda de extrema esquerda declarou também nesta sexta-feira que seu principal conselho aprovou um documento negociado durante as tratativas com o centro-esquerdista Partido Socialista e que “estão dadas as condições para um acordo de esquerda para proteger os empregos, os salários e as aposentadorias”.

O gabinete do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, que é a favor da austeridade fiscal, foi empossado na semana passada, depois que sua coalizão conquistou maior número de votos na eleição de 4 de outubro, mas perdeu a maioria no Parlamento, que se inclinou para a esquerda.

No início desta semana, os socialistas alertaram que está acabando o tempo para se chegar a um entendimento para um governo esquerdista de maioria, que eles prometeram montar antes de tentar derrubar o novo gabinete na semana que vem no Parlamento.

Em conversa com os repórteres, Passos Coelho admitiu pela primeira vez que seu governo pode ser desfeito.

“Se eu não for primeiro-ministro a partir de terça-feira, será porque o Partido Socialista não deixou… Estarei onde for preciso, no governo, que é o lugar natural de quem ganha as eleições, mas, se porventura não estiver no governo e estiver na oposição, não deixarei de assumir as minhas responsabilidades”, declarou.

As conversas em torno da formação de um governo esquerdista despertaram temores sobre as perspectivas para a tímida recuperação econômica de Portugal, por conta da instabilidade e do fato de que os parceiros em potencial deste possível governo rejeitam algumas reformas impostas para superar a crise da dívida.

O Partido Socialista argumentou que pode formar um governo apoiado por uma maioria de esquerda que respeitaria as regras orçamentárias da Europa.

Mas a extrema esquerda, especialmente os comunistas, rechaçam os limites orçamentários impostos por Bruxelas e têm várias outras divergências ideológicas significativas, o que torna difícil que se chegue a um acordo vinculante entre eles.

Alguns socialistas também são favoráveis a uma coalizão de centro, ao invés de um acordo com a esquerda radical.

Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s