Ex-presidente da Câmara dos EUA é processado por pedofilia

O valor é o resíduo de um acordo de US$ 3,5 milhões, descumprido por Hastert para encerrar a acusação sobre o abuso que teria cometido há três décadas

Um ex-aluno do ex-congressista republicano Dennis Hastert entrou com uma ação de US$ 1,8 milhão nesta segunda-feira, alegando ter sido vítima de abuso sexual aos 14 anos.

Esta semana será anunciada a sentença em um caso relacionado, que envolve esse outrora presidente da Câmara dos Representantes.

O valor é o resíduo de um acordo de US$ 3,5 milhões, descumprido por Hastert para encerrar a acusação sobre o abuso que teria cometido há três décadas.

Hastert já foi acusado de violar as leis bancárias para fazer os pagamentos de indenização a vítimas de abusos sexuais e de mentir para o FBI, a Polícia Federal americana, sobre eles.

O político se declarou culpado das acusações e deve ouvir a sentença na quarta-feira.

Os abusos aconteceram quando Hastert era professor e treinador esportivo na escola de Ensino Médio Yorkville, perto de Illinois, entre os anos 1960 e 1980.

Embora as acusações pelo delito já tenham prescrito, o ex-congressista ainda responde por violar legislação financeira.

Os procuradores federais garantem que os abusos de Hastert foram generalizados, e há conhecimento de impressionantes detalhes de ações contra pelo menos cinco crianças durante o período que Hastert esteve na instituição.

Apresentada na corte do condado de Yorkville, a última ação afirma que Hastert “violou a confiança especial” nele depositada pela suposta vítima e praticou “abuso de menores” e “agressão com fins sexuais em um quarto de hotel”, durante um viagem para uma competição de luta livre.

Como resultado, o demandante relatou que, “durante muitos anos, sofreu graves ataques de pânico”. Esses ataques levaram-no a “períodos de desemprego, mudanças de carreira, episódios de depressão, internação psiquiátrica e tratamentos psicológicos prolongados”, segundo o documento judicial.

Os advogados de Hastert não quiseram comentar o caso.

Segundo o Ministério Público, entre 2010 e 2014, Hastert ofereceu US$ 1,7 milhão ao ex-aluno, um pouco menos do que metade da quantia acordada, em pagamentos regulares que se paralisaram quando o FBI começou a investigar esses pagamentos incomuns.

Em 2007, Hastert renunciou ao cargo de presidente da Câmara de Representantes, o qual ocupava desde 1999. Sua saída se relacionou com o escândalo provocado pelo envio de mensagens de sexo explícito por outro congressistas, Mark Foley, para e-mails de adolescentes, ou de auxiliares de escritório do Congresso.

Durante seu período na Casa, Dennis Hastert votou contra leis pelo reconhecimento dos direitos dos homossexuais.

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