Número de mortos em aeroporto de Istambul sobe para 36

Pelo menos 36 pessoas morreram em um atentado suicida cometido em um terminal do aeroporto internacional de Istambul

Istambul – Ao menos 36 pessoas morreram, e 88 ficaram feridas, nesta terça-feira à noite (28), em um atentado com três suicidas cometido em um terminal do aeroporto internacional Ataturk, de Istambul, o mais importante da Turquia – de acordo com a agência de notícias Dogan.

“Segundo as últimas informações, 36 pessoas perderam a vida”, revelou o primeiro-ministro turco, Bimali Yildirim, no local do ataque, destacando que “os indícios apontam para o Daesh” (acrônimo em árabe do Estado Islâmico).

“Um terrorista começou a atirar com uma Kalashnikov e, então, se detonou”, relatou o ministro turco da Justiça, Bekir Bozdag, em pronunciamento no Parlamento, em Ancara.

Uma onda de pânico varreu o terminal de voos internacionais, quando duas violentas explosões seguidas de tiroteio foram ouvidas, por volta das 22h (16h, horário de Brasília). Mais de dez ambulâncias foram enviadas ao terminal, noticiou a rede CNN-Türk.

“Foi muito forte. Todo mundo entrou em pânico e começou a correr em todas as direções”, disse um dos entrevistados à emissora.

Os agressores metralharam passageiros e policiais de plantão, o tiroteio começou, e os suicidas se detonaram.

A televisão local divulgou imagens impressionantes, mostrando um policial que atira em um dos terroristas. Ferido, o indivíduo cai no chão e aciona sua carga explosiva.

Fotos divulgadas nas redes sociais mostram danos materiais significativos dentro do terminal e passageiros deitados no chão. Os jornais divulgaram imagens de feridos sendo levados para as calçadas do lado de fora do aeroporto.

Todos os voos foram suspensos, e um grande efetivo policial estabeleceu um perímetro de segurança na área afetada, segundo imagens transmitidas pelas emissoras locais.

“Posso confirmar que todos os voos que deveriam chegar aqui foram desviados para aeroportos próximos”, disse à AFP uma autoridade aérea.

Localizado na parte europeia de Istambul, o aeroporto internacional de Ataturk é o 11º do mundo em fluxo de pessoas, registrando cerca de 60 milhões de passageiros no ano passado.

Reações

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, fez um apelo à “luta comum” no plano internacional após o triplo atentado.

“Espero, sinceramente, que o ataque visando ao aeroporto Ataturk seja uma virada para a luta comum a travar, com os países ocidentais à frente, em todo o planeta contra as organizações terroristas”, afirma Erdogan em um comunicado.

O primeiro-ministro Benali Yildirim deixou Ancara imediatamente com destino a Istambul, enquanto uma reunião de crise era organizada na capital com vários ministros.

Em entrevista coletiva no primeiro dia da cúpula europeia em Bruxelas, o presidente francês, François Hollande, condenou “duramente” o que chamou de “ato abominável”.

“Quero condenar duramente esse ataque”, declarou Hollande, acrescentando que “esses atos terroristas que acontecem depois de outros têm como consequência deixar a situação ainda mais difícil na Turquia”.

Segundo Hollande, trata-se, agora, trabalhar de modo “a conhecer exatamente os autores [do atentado] para que, juntos, possamos fazer tudo que for possível contra o terrorismo, sobretudo, nessa região”.

“Temos de agir – é o que fazemos também pela Europa e pela França -, coordenar ainda mais nossos serviços e realizar, tanto quanto possível, as ações necessárias contra o terrorismo e os tráficos ilícitos”, convocou.

O premiê francês, Manuel Valls, reagiu no mesmo tom.

“Horrorizado com o atentado bárbaro no aeroporto de #Istambul. A França com os turcos contra o terrorismo”, tuitou.

Washington condenou o “atroz” atentado e prometeu seu “firme” apoio à Turquia.

“O aeroporto internacional Ataturk, como o aeroporto de Bruxelas que foi atacado anteriormente este ano, é um símbolo das conexões internacionais e dos laços que nos unem”, afirmou o porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, em uma nota.

O porta-voz do departamento de Estado, Mark Toner, disse que “estes ataques apenas fortalecem nossa determinação de trabalhar com o governo da Turquia para enfrentar o terrorismo e apoiar, em toda a região, os que trabalham para promover a paz e a reconciliação”.

“O mundo está horrorizado”, afirmou o candidato republicano à Casa Branca, Donald Trump. “A ameaça terrorista nunca foi tão grande”.

A candidata democrata, Hillary Clinton, avaliou que “todos os americanos devem se mostrar solidários ao povo turco diante desta campanha de ódio e violência”. “Devemos aprofundar nossa cooperação com os aliados e sócios do Oriente Médio e Europa para enfrentar esta ameaça”.

O secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, “condenou o ataque terrorista” e expressou “sua profunda solidariedade e condolências” às famílias das vítimas e ao governo turco.

Os consulados americano e francês aconselharam seus cidadãos a não irem à região do aeroporto.

Rebeldes curdos ou extremistas

Em 2015, a Turquia foi atingida por uma série de atentados letais, atribuídos a rebeldes curdos e ao grupo Estado Islâmico (EI).

Em entrevista à CNN-Türk, o especialista em Segurança e Terrorismo Abdullah Agar privilegiou a tese de atentado “jihadista”.

“Isso parece muito com os métodos deles”, afirmou, referindo-se aos ataques contra o aeroporto e metrô de Bruxelas em 22 de março deste ano.

O outro aeroporto de Istambul, o Sabiha Gokcen, foi atingido em dezembro passado por um atentado. Um funcionário morreu.

Istambul e a capital, Ancara, as duas maiores cidades do país, sofrem desde o ano passado com uma sequência de atentados que já deixaram quase 200 mortos e um grande número de feridos.

Esses ataques foram atribuídos ao EI – que não reivindicou nenhum deles -, ou aos rebeldes curdos, sobretudo, do TAK, um braço do PKK, o Partido dos Trabalhadores do Curdistão.

O PKK retomou as armas há um ano contra o governo, após um cessar-fogo de dois anos.

Texto atualizado às 22h00 / Mais informações em instantes

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