Fotógrafa faz foto comovente de urso polar em “pele e osso”

Em post nas redes sociais, fotógrafa alerta para a vulnerabilidade dos ursos ao degelo recorde do Ártico

São Paulo – A fotógrafa Kerstin Langenberger é uma das centenas de turistas que viajam todos os anos para o fiórde de Svalbard, no ártico norueguês, para observar ursos polares. Mas o que ela viu, recentemente, a deixou perplexa: Kerstin encontrou, repetidas vezes, animais famintos e com pouco mais do que pele e osso.

Em um post comovente em seu perfil no Facebook, a fotógrafa publicou a imagem de um urso polar raquítico vagando atrás de alimento. Ela atribuiu a situação chocante ao degelo recorde do Ártico, associado ao aumento das temperaturas em meio às mudanças climáticas

“Eu vejo geleiras recuando dezenas a centenas de metros a cada ano. Eu vejo o bloco de gelo desaparecendo em velocidade recorde. Sim, eu vi ursos em boa forma – mas também tenho visto [ursos] mortos e morrendo de fome. Ursos andando nas margens à procura de comida, ursos tentando caçar renas, comer ovos do pássaro, musgo e algas”, escreveu a fotógrafa.

Segundo os cientistas, a diminuição do gelo do Ártico reduz a oferta de comida para os animais (o principal alimento dos ursos são focas). Em junho deste ano, um grupo de cientistas observou ursos polares comendo golfinhos-de-bico-branco, pela primeira vez, no fiórde de Svalbard, o mesmo lugar retratado por Kerstin.

For tourists and wildlife photographers, the main reason to come to Svalbard is to see polar bears. And yes, usually we…

Posted by Kerstin Langenberger Photography on Quinta, 20 de agosto de 2015

A fotógrafa também percebeu que os ursos mais corpulentos são quase exclusivamente machos que permanecem no bloco central de gelo durante todo o ano, ao passo que as fêmeas, que precisam dar à luz seus filhotes em áreas mais afastadas, próximas das costas, muitas vezes são escassas.

“Com o bloco de gelo recuando mais e mais ao norte a cada ano, elas tendem a ficar presas em áreas onde não há muita comida. No primeiro ano, elas perdem sua primeira prole. No segundo ano, perdem outra […] Muitas vezes eu vi ursos terrivelmente finos, e eles eram exclusivamente do sexo feminino – como este aqui [da foto]. Um mero esqueleto, ferido na perna da frente, possivelmente por uma tentativa desesperada de caçar uma morsa enquanto ela estava presa em terra”, lamenta.

A perda de gelo marinho no Ártico tem despertado temores sobre o futuro dos ursos polares e, por isto, a fotógrafa termina seu post com um apelo comovente:

“Eu não tenho dados científicos para provar minhas observações, mas eu tenho olhos para ver – e um cérebro para tirar conclusões. A mudança climática está acontecendo aqui no Ártico. E cabe a nós tentar mudar isso. Então vamos fazer algo sobre a maior ameaça do nosso tempo. Talvez a gente não possa salvar este urso aqui. Mas cada pequena ação que fazemos para mudar os nossos caminhos é um passo na direção certa. Nós apenas temos que começar e seguir em frente!”, defende Kerstin.

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