Hillary Clinton domina primeiro debate democrata

Uma veterana nestes palcos, a ex-secretária de Estado busca - pela segunda vez - ser a primeira mulher na Casa Branca

Hillary Clinton manteve nesta terça-feira a calma diante dos ataques de seus adversários – sobretudo em política externa – e assumiu seu papel de grande favorita no primeiro debate das primárias democratas.

Uma veterana nestes palcos, a ex-secretária de Estado, que busca – pela segunda vez – ser a primeira mulher na Casa Branca, desviou dos golpes de seu principal rival, o senador Bernie Sanders, e de outros três aspirantes durante o evento de duas horas em Las Vegas.

“A diplomacia não é conquistar uma solução perfeita. É sobre como balancear os riscos”, disse a ex-senadora e ex-primeira-dama de 67 anos.

A Sanders, que evocou o modelo social dos países escandinavos, respondeu: “Não somos Dinamarca. Eu amo a Dinamarca. Nós somos os Estados Unidos da América”.

“Esteve inabalável. Ninguém conseguiu irritá-la, por assim dizer”, disse à AFP Timothy Hagle, professor de ciência política da Universidade de Iowa.

O debate – sobre o qual pairava a sombra do vice-presidente Joe Biden, que ainda não anunciou uma eventual candidatura – manteve o ritmo combativo, mas não cedeu aos ataques pessoais que permearam os duelos entre os candidatos republicanos.

Diferentemente dos mais de dez aspirantes conservadores, os democratas apresentam um contingente menos numeroso e diverso: sem candidatos negros ou de origem latina. Apenas uma coincidência: só uma mulher na disputa.

O magnata imobiliário Donald Trump, que liderou o show nos debates republicanos, ironizou no Twitter este debate “chato”.

“Que pena, não há nenhuma estrela no palco esta noite”, declarou o milionário pouco antes do início do duelo, realizado em um hotel cassino a 800 metros de um de seus muitos hotéis.

Coincidências na imigração

Combativo e apaixonado, Sanders, de 74 anos, o surpreendente segundo lugar na disputa, condenou as desigualdades econômicas, lançando sua fúria contra Wall Street e o corrupto sistema de financiamento eleitoral que “está minando a democracia americana”.

Também com a desigualdade na mira, Hillary prometeu lutar para que os pais possam finalmente dizer as suas filhas: “você também pode ser presidente quando for grande”.

Sobre a proliferação de armas nucleares, a ex-diplomata disse que isso representava o maior risco para a segurança dos Estados Unidos, e condenou duramente o ex-consultor informático da inteligência americana Edward Snowden, afirmando que deve enfrentar a lei em seu país.

Diante destas fortes personalidades, o ex-governador de Maryland Martin O’Malley, o ex-senador Jim Webb e o ex-governador de Rhode Island Lincoln Chafee -, que exibem índices de popularidade de um dígito, pouco puderam fazer para se destacar.

O problema sobre os 11 milhões de imigrantes ilegais deu lugar a uma breve discussão e à concordância geral na necessidade de uma reforma migratória integral. Hillary prometeu inclusive “ir além” das medidas executivas aprovadas por Barack Obama.

Basta dos e-mails

A uma ano das eleições presidenciais, Hillary aparece como a principal rival dos republicanos, que não param de criticá-la. A ex-chefe da diplomacia americana sob Barack Obama não foge das acusações por ter utilizado um servidor de e-mails privado durante sua gestão no Departamento de Estado.

Mas no debate recebeu o apoio do senador por Vermont, que convocou os meios de comunicação e os republicanos a se concentrarem nos “verdadeiros problemas”.

“Basta dos e-mails (…) O povo americano está cansado de ouvir de seus benditos e-mails”, disse um irritado Sanders em meio a aplausos.

Nacionalmente, Hillary mantém a dianteira nas pesquisas, mas está atrás do senador em New Hampshire e sua vantagem é modesta em Iowa, dois estados chave do início das primárias em 2016.

Organizado pela rede CNN, o debate foi presenciado ao vivo por 1.300 pessoas a partir do hotel Wynn na “cidade do pecado”, e por outras milhares pela televisão, alguns em bares.

“Não foi o mesmo espetáculo que o debate republicano, mas o bom é que falaram mais sobre os verdadeiros problemas”, disse à AFP Kevin Chavous, um advogado e ativista democrata reunido em uma das populares “festas de debate” em um local de Washington.

Obama havia adiantado que veria o debate, apenas que não inteiramente. O duelo coincidia com vários jogos da pós-temporada de beisebol. “Não me surpreenderia que fizesse um pouco de zapping”, disse o porta-voz presidencial, Josh Earnest.

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