Hillary, literalmente, fraqueja

Sérgio Teixeira Jr., de Nova York 

Um vídeo de cerca de 20 segundos gravado no domingo chacoalhou a eleição presidencial americana. A candidata do Partido Democrata, Hillary Clinton, aparece cambaleante e precisa ser carregada por dois agentes do serviço secreto para dentro de uma van. Hillary participava da cerimônia que marcou os 15 anos dos ataques terroristas de 11 de setembro, no Marco Zero, em Nova York. A campanha de Hillary Clinton, que completa 69 anos em 27 de outubro, anunciou que a ex-primeira-dama foi diagnosticada com pneumonia e desidratação – a temperatura estava na casa dos 25 graus, com alto índice de umidade do ar.

Duas horas depois do incidente, Hillary reapareceu na porta do prédio onde mora sua filha, Chelsea, dizendo estar “ótima”. Jornalistas perguntavam o que aconteceu, mas a candidata apenas sorriu e entrou no carro que a levaria para sua casa, no norte do estado. No fim do dia, a médica que a examinou afirmou num comunicado que Hillary estava “reidratada e se recuperando bem”. Hillary cancelou a viagem que faria à Califórnia nesta segunda-feira.

O candidato republicano, Donald Trump, vinha questionando o estado de saúde de Hillary havia semanas, apontando para uma tosse persistente da candidata. Imagens publicadas anteriormente mostravam Hillary recebendo ajuda para subir escadas. O site de extrema direita Breitbart News, cujo ex-editor-chefe agora é o responsável pela campanha de Trump, afirmou na época que ela tem “lesões cerebrais bem documentadas”.

Clinton sofreu uma concussão e um coágulo em uma veia da cabeça em dezembro de 2012, ambos noticiados na época. Em seu depoimento ao FBI no caso do uso de um servidor particular de emails no Departamento de Estado, ela afirmou que não se lembrava de algumas orientações de segurança que recebeu quando estava no governo. De acordo com a transcrição dos interrogatórios, porém, não está claro se os lapsos de memória estão relacionados à concussão ou ao coágulo.

Tanto Hillary Clinton quanto Donald Trump, que completou 70 anos em junho, vêm se recusando a divulgar relatórios médicos detalhados, uma praxe para candidatos à Presidência dos Estados Unidos. Depois do incidente, a campanha de Hillary Clinton não se manifestou a respeito de uma eventual divulgação de mais informações. Mas Trump aproveitou o literal momento de fraqueza da adversária e afirmou que vai divulgar “números muito, muito específicos” de exames que ele teria realizado na semana passada. O anúncio será feito na quinta-feira durante o “The Dr. Oz Show”, um programa de TV vespertino comandado por Mehmet Oz, um cirurgião cardiotorácico e professor da Universidade Columbia que se tornou uma das maiores personalidades de TV dos Estados Unidos.

Trump é conhecido por gostar de comidas gordurosas e pouco saudáveis – em sua conta do Instagram, ele aparece comendo sanduíche e batata frita do McDonalds em seu jatinho particular. O empresário também tem uma conhecida preferência por bifes muito bem passados. Outra mania bem documentada de Trump é sua quase-germofobia: o empresário não gosta de apertos de mão – uma prática que ele teve de aprender a tolerar em suas andanças pelo país como candidato a presidente.

Graças a suas declarações ultrajantes, Trump vem sendo pintado pelos democratas como uma pessoa incapaz de ocupar a Casa Branca. Agora, com o episódio de domingo, espera-se que a campanha do empresário volte a argumentar que Hillary Clinton não tem condições físicas de ser presidente. “A mídia mainstream nunca cobriu o ‘hacking’ massivo ou ataque de tosse de Hillary, mas ele está em primeiro lugar” nos tópicos mais comentados do Twitter, escreveu Trump na rede social no começo de setembro, quando Hillary teve de interromper um discurso por causa de um acesso de tosse.

A crise de saúde de Hillary Clinton acontece em um momento chave da campanha. Os dois candidatos retomaram as viagens pelo país depois do fim das férias de verão, no início de setembro, e algumas pesquisas indicam que Trump está ganhando terreno. No fim de agosto, Hillary tinha 48,4% das intenções de voto, contra 42,1% para Trump, segundo uma média de oito pesquisas realizada pelo site Real Clear Politics. Nesta segunda-feira, a diferença tinha caído para três pontos percentuais (45,9% contra 42,9%).

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