Jornal reconhece que Revolução Cultural trouxe “catástrofes”

A Revolução Cultural, que durou entre 1966 e 1976, "foi um obstáculo muito grande no processo de desenvolvimento de nosso partido e de nosso país"

Pequim – A imprensa oficial da China manteve silêncio na segunda-feira, durante o 50º aniversário do início da Revolução Cultural, mas nesta terça-feira, um dia depois da efeméride, um editorial do “Diário do Povo”, a voz oficial do Partido Comunista da China (PCCh), descreveu aquele período como “um caos interno que trouxe enormes catástrofes”.

A Revolução Cultural, que durou entre 1966 e 1976, “foi um obstáculo muito grande no processo de desenvolvimento de nosso partido e de nosso país”, ressalta o artigo, que também lembrou que, em 1981, uma sessão do PCCh sentenciou que esses dez anos de caos tinham sido um erro.

Aquela decisão, que hoje em dia continua sendo usada por veículos de imprensa oficiais e políticos chineses na hora de se referirem a um dos pontos mais obscuros da história chinesa recente, optou, no entanto, por não apontar Mao Tsé-tung, morto em 1976, como principal responsável intelectual da Revolução Cultural.

No editorial de hoje, o “Diário do Povo” reconheceu que a revolução comandada pelos jovens guardas vermelhos foi motivada por “erros dos líderes comunistas que foram aproveitados por grupos contrarrevolucionários”.

“A história demonstrou plenamente que a teoria e as práticas da Revolução Cultural foram completamente equivocadas. Não eram, nem podiam ser, uma revolução ou um progresso social em qualquer sentido”, diz o artigo, que evitou falar de mortes e outras consequências negativas específicas daquele período.

Em 16 de maio de 1966, o mesmo “Diário do Povo” publicou a notificação do PCCh que convocava para a luta contra elementos burgueses que, segundo o regime, tinham se infiltrado em todos os setores da sociedade chinesa.

Aquele documento deu início a 10 anos de guardas vermelhos exaltados, humilhações públicas e linchamentos de supostos inimigos do maoísmo, destruições de patrimônio cultural e reeducação no campo intelectual.

Apesar de o regime chinês reconhecer oficialmente os males da Revolução Cultural, o mesmo evita se aprofundar em detalhes sobre vítimas e carrascos, apesar da existência de milhões de pessoas no país que foram vítimas da mesma, o que impede que este seja um acontecimento tão tabu como, por exemplo, o massacre de Praça da Paz Celestial em 1989.

O “Diário do Povo” publicou hoje que o partido que governa a China desde 1949 “admite com coragem, analisa corretamente e corrige seus erros”.

O editorial termina enfatizando que, depois de mais de 30 anos de reforma e abertura, a China “está cada vez mais forte e o nível de vida do povo está mais elevado”, e recomendando “união em torno de Xi Jinping (o atual presidente)” para “realizar o sonho nacional, que é o rejuvenescimento do povo chinês”.

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