Mali procura cúmplices de ataque a hotel de Bamako

Três países vizinhos, Senegal, Mauritânia e Guiné, se associaram ao luto em memória das 19 vítimas do ataque reivindicado por dois grupos jihadistas diferentes

Especialistas franceses e da ONU colaboravam na investigação do ataque contra um hotel de Bamako e na busca dos cúmplices dos agressores, anunciou a justiça do Mali, onde teve início nesta segunda-feira um luto de três dias decretado pelo governo.

Três países vizinhos, Senegal, Mauritânia e Guiné, se associaram ao luto em memória das 19 vítimas do ataque reivindicado por dois grupos jihadistas diferentes.

“A investigação avança para encontrar rapidamente os autores e levá-los à justiça”, declarou Bubacar Sidiki Samaké, procurador do departamento antiterrorista que comanda os trabalhos.

“O que é evidente é que se beneficiaram de cumplicidades para chegar ao hotel Radisson Blu e tiveram cúmplices para cometer o ataque”, declarou.

A investigação segue por “várias pistas” sem quaisquer certezas sobre a nacionalidade dos autores do ataque de sexta-feira reivindicado por dois grupos jihadistas.

Na recepção do hotel os investigadores encontraram uma mala com granadas que foi abandonada pelos criminosos, segundo o procurador.

Especialistas franceses desembarcaram em Bamako para ajudar na identificação dos corpos e a Minusma (Missão da ONU no Mali) também participa na investigação.

O Radisson Blu foi atacado por homens armados que tomaram quase 170 pessoas como reféns, entre clientes e funcionários.

As forças de segurança do Mali, apoiadas por forças especiais francesas, americanas e oficiais da Minusma, libertaram os reféns.

O ataque terminou com 21 mortos: 18 clientes, sendo 14 estrangeiros, um policial malinês e os dois criminosos, segundo o governo.

A Minusma contabilizou 22 mortos, incluindo dois jihadistas.

O ataque foi reivindicado pelo grupo jihadista Al-Murabitun, liderado pelo argelino Mokhtar Belmokhtar, com a participação da Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQMI).

O Al-Murabitun afirmou que a ação foi executada por duas pessoas, dando a entender que eram naturais do Mali.

A reivindicação em árabe, divulgada pelo canal de televisão Al-Jazeera, os identificou como Abdelhakim al-Ansari e Moez al-Ansari.

“Al-Ansari” é usado na terminologia jihadista para designar os combatentes autóctones.

Outro grupo jihadista, a Frente de Libertação de Macina (FLM), implantado no centro dp país, também reivindicou o atentado.

“A Frente de Libertação de Macina (FLM) reivindica o ataque contra o (hotel) Radisson em Bamako com a colaboração do Ansar Dine”, afirma um comunicado, que cita um grupo jihadista do nordeste do país.

O texto é assinado por Ali Hamma, porta-voz do FLM, um grupo criado no início do ano e liderado pelo pregador radical Amadou Koufa.

O FLM indicou que o ataque foi cometido por um comando de cinco homens: dois morreram e três sobreviveram à ação.

Três pessoas suspeitas de envolvimento no atentado estão sendo procuradas, segundo fontes oficiais.

O procurador Samaké afirmou que várias operações foram realizadas em Bamako, mas se recusou a falar de eventuais detenções.

“Nos próximos dias teremos novidades”, declarou Samaké, que pediu prudência a respeito das reivindicações, alegando que no momento não pode descartar nenhuma.

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