May pede parceria com a UE para “saída suave” do Reino Unido

May ressaltou que o país seguirá sendo um "interlocutor forte" dentro do bloco enquanto continuar fazendo parte da UE, revelou um porta-voz do governo

Londres – A primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, disse nesta quinta-feira que deve haver cooperação com a União Europeia (UE) para uma “saída suave” do país do bloco.

Depois de se reunir com o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, em Londres, no primeiro encontro entre eles desde que a líder conservadora assumiu o poder, May ressaltou que o país seguirá sendo um “interlocutor forte” dentro do bloco enquanto continuar fazendo parte da UE, revelou um porta-voz do governo.

“Os principais pontos expostos pela primeira-ministra abordaram o trabalho conjunto entre as partes a fim de conseguir uma saída suave para o Reino Unido”, disse a fonte consultada pela Agência Efe sobre o café da manhã de trabalho realizado no escritório oficial de May.

O porta-voz classificou o encontro como “relaxado e amigável”, negando que os comentários feitos minutos antes pelo ex-primeiro-ministro da Polônia, pedindo o início do “Brexit” o “quanto antes”, tivessem a intenção de pressionar os britânicos.

“Não houve nenhuma sensação nessa reunião de pressão sobre esse assunto. A sensação foi de que aceitam a postura adotada pela primeira-ministra e que devem proporcionar tempo para preparar as negociações, exatamente porque queremos que a saída seja suave”, explicou o porta-voz.

Tusk pediu à primeira-ministra que negocie com a UE o “mais rápido possível”, pois isso é de “interesse de todos”. Além disso, afirmou que a “bola agora está com o Reino Unido”.

Em mensagem divulgada em sua conta no Twitter, Tusk ressaltou que o objetivo do bloco é “estabelecer a relação mais estreia possível entre ambas as partes”.

Além do resultado do referendo do último dia 23 de junho, no qual os britânicos aprovaram a saída da UE, Tusk e May falaram sobre a reunião do bloco em Bratislava no próximo dia 16. Os líderes dos países-membros seguirão debatendo as consequências do “Brexit” e se prevê que o Reino Unido não participe da discussão.

Com relação à cúpula, Tusk esclareceu não haverá debate sobre “as futuras relações com o Reino Unido”. “Para isso, e especialmente para o começo das negociações, precisamos da notificação formal, ou seja, a ativação do Artigo 50”, disse o presidente do CE.

May indicou que o Reino Unido não invocará até o início do próximo ano o artigo 50 do Tratado de Lisboa, que estabelece um processo de negociação de dois anos sobre os termos da saída de um país-membro do bloco europeu. 

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