Médicos transplantam fígado entre portadores do HIV

O anúncio foi feito após uma operação idêntica realizada por médicos dos Estados Unidos em 15 de março de 2016, também apresentada como uma novidade mundial

Médicos suíços realizaram em outubro de 2015 o primeiro transplante de fígado do mundo entre duas pessoas portadoras do vírus HIV, informa um comunicado publicado em Genebra após seis meses de observação do paciente.

O anúncio, também publicado em um artigo no American Journal of Transplantation, foi feito após uma operação idêntica realizada por médicos dos Estados Unidos em 15 de março de 2016, também apresentada como uma novidade mundial.

Os Hospitais Universitários de Genebra (HUG) informam que os seis meses de observação mostraram que não há rejeição do órgão, nem perda de controle do vírus no receptor.

“Este primeiro transplante praticado na Suíça, que acaba de ser seguido por outro transplante análogo nos Estados Unidos, abre perspectivas inéditas para as pessoas que vivem com o HIV”, destacam os HUG.

Isto significa que os portadores de HIV podem se declarar possíveis doadores de órgãos, e, ao mesmo tempo, os que estão à espera de um órgão têm melhores perspectivas de ser operados.

A lei suíça sobre os doadores de órgãos autoriza desde 2007 o transplante de órgãos entre doadores e receptores soropositivos, mas foram necessários oito anos para a primeira operação.

“Há duas razões: de um lado o desconhecimento por parte de médicos e pacientes soropositivos deste dispositivo da lei e, de outro, o problema da compatibilidade necessária entre doador e receptor”, explicou à AFP Nicolas de Saussure, porta-voz dos HUG.

Neste caso, o doador era um homem de 75 anos, que faleceu após uma hemorragia cerebral. Era soropositivo desde 1989 e havia autorizado a doação de seus órgãos.

O receptor foi diagnosticado soropositivo em 1987 e foi informado antes da operação dos possíveis riscos adicionais. Ele aceitou os riscos.

Em uma entrevista, o receptor, que sofria uma doença grave do fígado, disse que estava na lista de espera há dois anos e meio.

O transplante foi realizado por uma equipe integrada pela professora Alexandra Valmy, diretora da unidade HIV, o professor Thierry Berne, médico chefe do serviço de transplantes, o professor Christian van Mendel, diretor da unidade de infectologia de transplantes, e o professor Emiliano Giostra, especialista em doenças do fígado.

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