Merkel enfrenta a extrema-direita em meio à crise migratória

"É preciso afirmar claramente: não existirá tolerância com os que questionam a dignidade de outras pessoas", declarou Merkel

A Alemanha não tolerará as agressões “abjetas” da extrema-direita, garantiu nesta quarta-feira a chanceler Angela Merkel, durante visita a um centro de refugiados em Heidenau (Saxônia, leste), em meio à crise migratória que atinge a Europa.

“É preciso afirmar claramente: não existirá tolerância com os que questionam a dignidade de outras pessoas”, declarou Merkel, que chamou de “vergonhosas” e “abjetas” as ações violentas da extrema-direita registradas nesta cidade durante o fim de semana entre extremistas e policiais.

Por sua vez, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, fez um apelo em Paris “aos países na Europa e em outros lugares a mostrar compaixão e fazer muito mais para superar a crise” em questão.

“Hoje há muito mais pessoas deslocadas do que jamais estiveram desde a Segunda Guerra Mundial”, disse ele.

“Na Síria e em outros lugares, milhões de pessoas fogem da violência e perseguição. Outros tentam escapar da pobreza e buscam meios para viver com dignidade”, acrescentou.

Na Saxônia, antes, durante e após seu breve discurso, a chanceler alemã foi vaiada por simpatizantes da extrema-direita que também gritaram “traidora” e “nós somos o bando”. Mantidos afastados pela polícia, os extremistas haviam se misturado com os espectadores.

Durante a visita ao centro de refugiados, longe das câmeras e microfones, Merkel conversou com os residentes, funcionários e representantes das forças de segurança.

A Alemanha espera 800.000 pedidos de asilo em 2015, quatro vezes mais do o registrado em 2014.

Apesar de 60% dos alemães (segundo pesquisa do canal ZDF realizado em 21 de agosto) considerarem que o país tem os meios para recebê-los, a violência crescente da extrema-direita chocou a opinião pública.

Dois novo incidentes foram registrados durante a noite. Em Leipzig (Saxônia), um objeto incendiário foi lançado contra um prédio que deveria receber nesta quarta-feira 56 demandantes de asilo. Em Parchim (nordeste), dois homens embriagados e armados com uma faca invadiram um abrigo.

Briga e incêndio na Hungria

Nas fronteiras externas da UE, a Hungria, que enfrenta há vários dias um fluxo recorde de migrantes e refugiados em sua fronteira com a Sérvia, anunciou o envio de 2.100 reforços policiais para rastrear imigrantes ilegais.

Nesta quarta-feira, incidentes aconteceram diante do principal abrigo do país, localizado em Röszke, onde a polícia usou gás lacrimogêneo para impedir que cerca de 200 pessoas deixassem o centro de registro.

Desde janeiro, a Hungria registrou 100.000 pedidos de asilo. O país começou a erguer uma cerca de arame farpado ao longo dos 175 km de sua fronteira com a Sérvia, que deve ser concluída até 31 de agosto.

Neste contexto, o partido no poder na Hungria anunciou que apresentará ao Parlamento uma proposta para que o exército ajude a conter o fluxo de migrantes procedentes da Sérvia.

Schengen ameaçado

De ônibus, a pé, passando por baixo do arame farpado ou se escondendo em trens, cenas caóticas se multiplicam na Europa, com milhares de migrantes avançando em todo o continente.

Milhares de pessoas continuam a tentar a perigosa travessia do Mediterrâneo, onde apenas na semana 5.300 pessoas foram resgatadas pela Marinha italiana e a missão Triton, da UE.

Nesta quarta, entre 40 e 50 corpos foram encontrados no porão de uma embarcação lotada com mais de 400 migrantes perto da costa da Líbia.

Segundo a Guarda Costeira italiana, operações de regaste estavam em curso nesta tarde para salvar centenas de passageiros deste mesmo barco, bem como 2.000 migrantes a bordo de uma dezena de outras embarcações, igualmente ao longa da Líbia.

Confrontados com o intenso fluxo de migrantes, Itália, Grécia e Hungria têm sido criticados por alguns países por permitirem a passagem das pessoas.

Em resposta às críticas, o chefe da diplomacia italiana, Paolo Gentiloni, disse que seu país era um “modelo positivo” por salvar “dezenas de milhares de vidas” no Mediterrâneo.

“A Europa precisa ir na direção exatamente oposta dos países situados nas suas fronteiras externas”, ressaltou o ministro, que milita por uma “europeização da gestão do fluxo”.

“Os migrantes chegam na Europa, não na Itália, Grécia, Alemanha e Hungria. Da maneira como as coisas estão indo, podemos questionar o espaço Schengen”, alertou.

Um vice-primeiro-ministro tcheco, Andrej Babis, pediu o “fechamento” da fronteira externa do espaço Schengen para “defender” o espaço de livre circulação.

Os 28 países do bloco europeu não conseguem chegar a um acordo quanto à partilha equitativa dos demandantes de asilo e também lutam para criar centros para aliviar os países de primeira entrada.

Berlim, no entanto, anunciou na terça-feira ter suspendido há bastante tempo a devolução dos sírios ao seu país de entrada na UE, um gesto de “solidariedade” recebido positivamente por Bruxelas.

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