Morador de Gaza cria tesouro de antiguidades

Abed, de 55 anos, é um arqueólogo autodidata, preservador e restaurador que faz reproduções de peças antigas que encontra ou viu nos museus

Gaza – A apertada sala de trabalho de Nafez Abed está cheia de esculturas e mosaicos com padrões dos períodos bizantino, grego e romano. É um empório da antiguidade do Oriente Médio escondido em Gaza. E nada disso é real.

Abed, de 55 anos, é um arqueólogo autodidata, preservador e restaurador que faz reproduções de peças antigas que encontra ou viu nos museus.

Dá ao seu trabalho tanta autenticidade que os peritos internacionais ficam maravilhados com suas habilidades.

Ele passa quase todo o tempo em seu estúdio, construído sobre o telhado de sua casa inacabada em um campo de refugiados no norte de Gaza. As janelas são cobertas em plástico para evitar a entrada da chuva que sopra do Mediterrâneo, nas proximidades.

“Museu de Mosaicos” está escrito na porta de madeira que leva à sua sala de trabalho.

Em uma grande mesa no meio da sala escura está uma reprodução de uma estátua de Alexandre, o Grande, parecendo realmente datar de 300 a.C, em meio a lamparinas e cópias de moedas de mais de 2.500 anos.

“Minha fixação na arqueologia corre nas veias”, diz Abed, que tem sete filhos e passou por treinamento para ser ferreiro antes de decidir, há 30 anos, se dedicar a uma arte mais refinada.

“Passo mais de dez horas por dia aqui, sentado entre as minhas obras e reproduções”, disse ele com um sentimento de melancolia. Seu quarto estava iluminado por uma lâmpada pequena, conectada a um cabo de extensão que se estende até o andar de baixo.

Foi o pai de Abed que o iniciou no ofício, imbuindo-o do amor pelas antiguidades e a rica história antiga de Gaza, onde o herói bíblico Sansão viveu.

Ao longo de milênios, Gaza serviu como um porto comercial para egípcios, filisteus, romanos e cruzados.

Sob suas areias existem ruínas do cerco conduzido por Alexandre, o Grande, da visita do imperador Adriano, de invasões mongóis e da chegada dos exércitos islâmicos, 1.400 anos atrás.

Napoleão e os otomanos acamparam aqui e exércitos britânicos passaram por Gaza na Primeira Guerra Mundial.

Abed frequentemente percorre as praias de Gaza em busca de restos antigos.

Às vezes, ele restaura peças que encontra e outras vezes usa argila em uma reprodução, dando ao material um tratamento que fica parecendo ter séculos de idade.

Com a leitura extensiva sobre arqueologia em árabe e inglês, ele desenvolveu uma série de técnicas para restauração e envelhecimento. Aos olhos de um visitante, tudo parece antigo.

“Alguns clientes, alguns visitantes, incluindo cientistas que me visitaram, pensavam que algumas das peças eram reais até eu lhes dizer que eram imitações feitas à mão”, disse ele.

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