Nem Trump, nem Hillary, o que quer o eleitor americano?

O próximo líder a ocupar a Casa Branca será Donald Trump ou Hillary Clinton, mas, para 4 em cada 10 eleitores, nenhum deles será um bom presidente

São Paulo – Para os eleitores americanos, votar não está fácil. Para o dia 8 de novembro, as opções já estão definidas, mas estão longe de agradar: o próximo líder a ocupar a Casa Branca será Donald Trump ou Hillary Clinton, mas, para 4 em cada 10 eleitores, nenhum deles será um bom presidente.

Segundo os dados do Pew Research Center, organização independente de pesquisa, a satisfação do eleitorado com os candidatos é a mais baixa em 20 anos para os dois partidos: apenas 43% dos votantes democratas e 40% dos republicanos gostam do nome escolhido para disputar a presidência.

O que não quer dizer que eles não estejam interessados. Como resultado de tantas polêmicas e espetáculos dignos de intrigas hollywoodianas durante as prévias, a corrida presidencial americana de 2016 está conseguindo manter o eleitor interessado e observa o maior nível de engajamento desde 1992, com 80% dos votantes refletindo sobre sua escolha.

Por fim, os candidatos

Os escândalos não cessaram mesmo durante as convenções dos partidos. Do lado republicano, fica na memória os discursos de Ted Cruz, que abertamente se opôs a Trump como candidato, e da esposa do magnata, Melania Trump, que foi acusada de plagiar discurso da atual primeira dama dos EUA Michelle Obama.

Já os Democratas começaram sua convenção com mais um problema com os e-mails de sua pré-candidata, agora com mensagens vazadas no Wikileaks que mostrava uma suposta estratégia do Comitê Nacional Democrata para que Hillary Clinton vencesse o senador Bernie Sanders.

O partido deveria se manter neutro, mas os e-mails entre os altos funcionários democratas, além de terem claro viés a favor de Hillary, mostravam tentativas de minar o senador, com planos de espalhar boatos na imprensa sobre sua crença religiosa ou sobre suposto caos dentro de sua campanha.

O que as duas convenções tiveram em comum foi o tom de união dentro dos partidos. Trump começou sua campanha com apenas 1% de apoio entre os eleitores republicanos, como mostrou outra pesquisa do Pew em março de 2015. Essa análise mostrou que, mesmo que na véspera da convenção ele alcançasse 88% dos votos, não seria a preferência para quase dois terços dessas pessoas, que mudaram de candidato até duas vezes nos últimos meses.

Hillary, por outro lado, tem que ganhar os eleitores mais leais do seu ex-rival Bernie Sanders. Mesmo que uma vasta maioria prefira votar na democrata a apoiar Trump (90%), a pesquisa prevê que, embora exista um abismo ideológico entre o que Sanders defende e o discurso de Trump, até 8% deles podem vir a votar no magnata em novembro.

Parece pouco, mas, quando uma pesquisa recente da Reuters/Ipsos mostrou Trump com uma vantagem de dois pontos percentuais sobre Hillary nenhum voto pode ser ignorado. Ou será que pode?

De acordo com o jornal New York Times, os americanos deveriam tirar uma folga do assunto e até ignorar as pesquisas por algumas semanas.

A comparação do histórico de resultados das pesquisas eleitorais passadas com seus respectivos resultados finais concluiu que a média das previsões acabam imprecisas momentos após uma convenção partidária. Depois disso, com os candidatos definidos e a aproximação das eleições, as pesquisas começam a ficar mais afinadas com o futuro resultado.

Um exemplo desse fenômeno foi a eleição de 2008, classificada pela publicação como similar à atual corrida, com John McCain como o virtual candidato republicano e dois democratas concorrendo à nomeação, Hillary Clinton e Barack Obama.

Na época das convenções, Obama e McCain estavam praticamente empatados. Após ser declarado candidato, o atual presidente teve um pico de popularidade, mas logo depois apareceu atrás de McCain nas pesquisas. Faltando cerca de 40 dias para a eleição, Obama subiu, chegando muito próximo dos sete pontos percentuais de vantagem que o consagraram como presidente.

Faltam 100 dias para a eleição de 2016, a pressão na reta final da disputa só aumenta com o mundo atento para seu resultado. Os eleitores podem não ter expressado confiança nos seus candidatos, mas deixam claro que não pretendem mudar de lado com facilidade.

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