O que sabemos sobre o pior ato terrorista nos EUA desde 11/9

Nesta segunda-feira, novos desdobramentos e informações sobre o caso seguem surgindo. EXAME.com compilou os principais deles

São Paulo – A madrugada de sábado (11) para domingo (12) foi de terror nos Estados Unidos quando se desenrolava em Orlando (Flórida) o pior ato terrorista em solo americano desde o 11 de setembro, o maior tiroteio em massa da história do país e o mais grave ataque contra a comunidade LGBTQ (lésbicas, gays, bissexuais, transexuais e simpatizantes) já visto nos EUA. 

Era quase fim de noite na boate Pulse, uma das casas noturnas mais famosas da cidade, quando Omar Mateen, um americano muçulmano de origem afegã de 29 anos, abriu fogo contra os mais de 300 clientes do estabelecimento. O ataque deixou ao menos 50 mortos e 53 feridos.

Nesta segunda-feira, novos desdobramentos e informações sobre o caso seguiam surgindo. EXAME.com compilou os principais deles abaixo.

O que houve na boate?

Mateen estava armado com um fuzil e uma pistola. De acordo com a rede de notícias CNN, que ouviu relatos de sobreviventes do ataque, muitas pessoas demoraram a entender o que acontecia e alguns pensaram que os tiros nada mais eram que a batida da música.

Ao perceberam que se tratava de um atirador, aqueles que conseguiram escapar dos tiros desenfreados de Mateen correram para fora da boate. Nesse meio tempo, ele próprio já havia ligado para a polícia, que chegou ao local em seguida.

A partir desse momento, o atirador conseguiu manter 30 pessoas reféns, até que se iniciou a troca de tiros com a polícia que durou 3 horas. O local só foi liberado depois que uma equipe da SWAT, um braço da polícia americana especializado em situações de risco, invadiu a Pulse, matando Mateen.

Mitchell Wigs, que se apresenta como músico nas redes sociais, estava no local no momento do tiroteio e registrou um vídeo chocante no qual é possível ouvir o tiroteio entre polícia e Mateen. Ele também capturou o atendimento às vítimas que era feito na rua próxima da boate. As cenas são fortes. Veja abaixo:

Quem eram as vítimas

Até o momento, o ato de Mateen fez 50 vítimas fatais. A maioria delas parecem ser de origem latina, uma vez que o estado da Flórida abriga uma das maiores comunidades latinas em todo os EUA e a Pulse realizava uma festa com essa temática. 

Segundo informações da prefeitura de Orlando, estas são vítimas que já foram identificadas: Edward Sotomayor Jr., 34 anos, Stanley Almodovar III, 23 anos, Luis Omar Ocasio-Capo, 20 anos, Juan Ramon Guerrero, 22 anos, Eric Ivan Ortiz-Rivera, 36 anos, Peter O. Gonzalez-Cruz, 22 anos, Luis S. Vielma, 22 anos, Kimberly Morris, 37 anos, Eddie Jamoldroy Justice, 30 anos, Darryl Roman Burt II, 29 anos, Deonka Deidra Drayton, 32 anos, Alejandro Barrios Martinez, 21 anos, Anthony Luis Laureanodisla, 25 anos, Jean Carlos Mendez Perez, 35 anos, Franky Jimmy Dejesus Velazquez, 50 anos, Amanda Alvear, 25 anos, Martin Benitez Torres, 33 anos, Luis Daniel Wilson-Leon, 37 anos, Mercedez Marisol Flores, 26 anos, Xavier Emmanuel Serrano Rosado, 35 anos, Gilberto Ramon Silva Menendez, 25 anos, Simon Adrian Carrillo Fernandez, 31 anos, Oscar A Aracena-Montero, 26 anos, Enrique L. Rios, Jr., 25 anos, Miguel Angel Honorato, 30 anos, Javier Jorge-Reyes, 40 anos, Joel Rayon Paniagua, 32 anos, Jason Benjamin Josaphat, 19 anos, Cory James Connell, 21 anos, Juan P. Rivera Velazquez, 37 anos, Luis Daniel Conde, 39 anos, Shane Evan Tomlinson, 33 anos, Juan Chevez-Martinez, 25 anos. 

Pulse

Fundada em 2004 por Barbara Poma como forma de homenagear a memória de seu irmão John, que morreu em decorrência da AIDS em 1991, a Pulse é uma parte fundamental da estrutura da comunidade LGBTQ da Flórida. Além de ser uma casa noturna convencional, que conta ainda com shows de drag queens, a casa também é parte da organização dos Jogos Gays, que vão acontecer em Paris em 2018.

Desde o início, a Pulse serviu como um lugar de amor e aceitação para a comunidade LGBTQ. Quero expressar minha tristeza profunda e condolências para todos que perderam pessoas queridas. Saibam que meu luto e o meu coração estão com vocês, disse Barbara em comunicado publicado no site da boate. 

Homofobia ou terrorismo?

O ato de Mateen vem sendo considerado por autoridades como motivado tanto pela homofobia quanto pelo extremismo religioso. Sabemos o suficiente para dizer que esse foi um ato de terrorismo e um ato de ódio, disse o presidente Barack Obama em coletiva.

De acordo com o pai do atirador Mir Seddique, Mateen era homofóbico e já havia manifestado seu ódio contra a comunidade LGBTQ em episódios anteriores. Em um deles, contou Seddique, durante uma viagem para Miami, Mateen ficou transtornado ao ver dois homens se beijando.

Além disso, anos antes do massacre do último final de semana, ele já havia passado pelo radar das autoridades americanas. Segundo o site americano Daily Beast, o atirador foi investigado em duas ocasiões, primeiro em 2013 e depois em 2014, por laços com grupos terroristas, mas nunca foi processado.

Durante o tiroteio, Mateen ligou para a política para informá-los do que estava acontecendo e deixar clara a sua lealdade ao grupo Estado Islâmico (EI). Momentos depois, o próprio EI confirmou que o extremista era um de seus combatentes e divulgou uma foto de Mateen.

Atirador era instável e abusivo

A polícia interrogou a ex-mulher do atirador, que não foi identificada. Segundo ela, Mateen não era uma pessoa estável e era abusivo. Eles se conheceram via internet há cerca de oito anos e se casaram em 2009. De início, o relacionamento era normal até que o atirador se tornou violento, mas não havia até então exibido sinais de radicalização.

O reflexo nas eleições americanas

A imigração e a islamofobia (sentimento de ódio em relação ao islamismo) são dois temas recorrentes nos debates presidenciais e não demorou até que os dois mais fortes candidatos à presidência do país, o republicano Donald Trump e a democrata Hillary Clinton, se manifestassem sobre a tragédia.

Trump é conhecido por suas declarações polêmicas sobre esses assuntos e dessa vez não foi diferente. Nas redes sociais, o empresário que vem propondo banir a entrada de muçulmanos nos EUA disse ter razão. Em outro comunicado, alegou que uma presidência de Hillary poderia significar a chegada de milhares de imigrantes do Oriente Médio.

Hillary, por sua vez, adotou o tom de união ao se referir ao caso. É hora de nos unirmos e resolvermos fazer o que podemos para defender nossas comunidades e nosso país, declarou também no Twitter. Não podemos demonizar, agir com demagogia ou declarar guerra contra toda uma religião. Ódio não é a resposta para o ódio, finalizou.

Armas

O ato de Mateen reacendeu um debate antigo nos Estados Unidos: as armas de fogo. Um estudo recente conduzido pela empresa Data Viz e publicado pelo site The Atlantic revelou um dado inusitado: para cada rede de café Starbucks nos Estados Unidos, há seis estabelecimentos de venda de armas.

A bandeira de uma maior regulação para a compra e porte de armas de fogo é também tema recorrente no discurso do presidente Barack Obama. E um tópico no qual pouco conseguiu progredir em seus anos de presidência.

Em pronunciamento divulgado pelo site Huffington Post, o presidente voltou a defender leis mais rígidas de controle das armas e questionou quantas vidas humanas o país estaria disposto a perder antes de tomar ações contra a violência decorrente desses casos. Precisamos decidir que tipo de país queremos ser e fazer nada também é uma decisão, disse Obama.

*Matéria editada às 16h00 para alteração do título.

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