Otan realiza reunião de cúpula em UE marcada pela incerteza

A reunião, com as presenças do presidente americano Barack Obama, François Hollande, Angela Merkel e David Cameron, acontecerá neste fim de semana

Os líderes da Otan celebram esta semana em Varsóvia uma importante reunião de cúpula, no momento em que a Europa, fragilizada pelo Brexit e a crise migratória, reforça sua defesa no leste do continente e enfrenta a ameaça extremista no sul.

A reunião, com as presenças do presidente americano Barack Obama, seu colega francês François Hollande, a chanceler alemã Angela Merkel e o primeiro-ministro britânico David Cameron, acontecerá neste fim de semana, 8 e 9 de julho.

O encontro tem uma carga simbólica porque a capita polonesa foi a cidade em que foi assinado em 1955 o Pacto de Varsóvia, liderado pela União Soviética, que tinha o objetivo de fazer o contraponto da Aliança Atlântica.

Os 28 líderes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) pretendem reforçar sua presença no leste europeu, outrora sob a influência de Moscou.

A principal decisão será a ratificação do plano de ação para contra-atacar a Rússia, cada vez mais agressiva, depois da anexação da Crimeia e da intervenção na Ucrânia em 2014.

A Otan pretende ainda tornar mais dinâmica a cooperação com a União Europeia (UE, da qual 22 dos 28 países membros integram a Aliança), que enfrenta em sua vizinhança ao sul a ameaça de Estados falidos, no Oriente Médio ou na África.

O Brexit, sem dúvidas, estará entre as declarações políticas. O Reino Unido é um aliado chave dos Estados Unidos na Europa e um pilar da Aliança.

A votação para a saída britânica da UE gerou uma incerteza que muitos chefes de Estado preferiam evitar, no momento em que o bloco está fragilizado por enfrentar a mais grave crise migratória desde 1945, a começar por Barack Obama, que comparece ao último encontro de cúpula da Otan de seu mandato.

Reforço do leste da Aliança

A Otan insiste que o Brexit não afeta a Aliança, mas a incerteza persiste com a Rússia, em crise com o Ocidente desde que o conflito na Ucrânia e o apoio de Moscou aos separatistas do leste acabaram com duas décadas de otimismo nas relações com o Kremlin.

O plano de resposta, esboçado pela Otan em 2014, o ‘Readiness Action Plan’, implica respeitar o mínimo de gastos militares de 2% do PIB e cessar os cortes.

Para acalmar os aliados que conquistaram a independência de Moscou no início dos anos 1990, a Otan decidiu ampliar a “Força de Resposta” (NRF, Nato Response Force) ao triplicar seus efetivos, até 40.000 soldados, e criar uma “ponta de lança” (‘Spearhead’) de 5.000 homens, com capacidade de deslocamento em poucos dias em qualquer foco de crise.

A Polônia e os três países bálticos, no entanto, conseguiram ainda mais. A reunião deve ratificar o envio a estes países de quatro batalhões multinacionais (entre 600 e 1.000 militares cada), com base em um rodízio.

A decisão não tem precedentes desde o fim da Guerra Fria e a Ata Fundacional de 1997 que rege as relações Otan-Rússia e estabelecia a redução das forças convencionais na Europa e Rússia.

A Rússia considera, porém, que é a Otan que avança sobre aqueles que eram seus ‘satélites’, o que ameaça a sua segurança.

“Não vamos ceder a este frenesi militarista quando são eles que tentam nos arrastar para uma cara corrida armamentista e sem perspectivas”, afirmou recentemente o presidente russo Valdimir Putin.

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