Para França, EI perder território aumenta risco de atentados

O promotor de Paris, François Molins, diz que "paradoxalmente, o enfraquecimento do EI no Iraque e Síria constitui um fator que reforça o risco de atentados"

Paris – O enfraquecimento do Estado Islâmico (EI) na Síria e Iraque, onde esse grupo jihadista perde territórios que controla, aumenta o risco de atentados no exterior, na opinião do promotor de Paris, François Molins, que dirige na França a ação judicial antiterrorista.

Em entrevista publicada nesta sexta-feira pelo jornal “Le Monde”, Molins fez notar que “paradoxalmente, o enfraquecimento do EI no Iraque e Síria constitui um fator que reforça o risco de atentados” e que a história mostra que quando as organizações terroristas têm dificuldades em seu território, tratam de perpetrar ações no exterior.

Outro “fator inquietante”, segundo sua opinião, é o que representam os voluntários que, em muitos casos com suas famílias, foram à Síria e Iraque para se integrar em grupos jihadistas, já que muitos deles “em um ou outro momento” voltarão a seus países de origem.

No caso da França, os serviços secretos estimam que cerca de 2 mil franceses já se foram, se encontram em trânsito ou têm intenção de viajar para esses locais, onde já há cerca de outros 700.

Para ilustrar esse perigo, o promotor precisou que a Justiça francesa tem abertas investigações contra 982 indivíduos por terrorismo islamita, dos quais 280 foram acusados e deles 167 se encontram atrás das grades. Além disso, outros 577 estão em busca e captura.

Molins justificou o endurecimento da estratégia adotada em abril, em particular porque “frente à evolução radical criada com as chamadas repetidas a cometer assassinatos e atentados desde janeiro de 2015, seria preciso raciocinar de forma diferente”.

Assim, agora o Ministério Público dá uma qualificação penal terrorista a todos os que desde janeiro de 2015 tenham ido às zonas de conflito para participar de combates, patrulhas ou na polícia islâmica com organizações como o EI e a Frente al Nusra.

Essas pessoas não só se expõem a uma pena criminal, e não simplesmente delitiva, mas com uma nova lei de julho podem ser condenadas a 30 anos de prisão, frente aos 20 anos anteriormente.

Com essas penas mais longas, o objetivo é “proteger a sociedade deixando estes indivíduos mais tempo em prisão”.

Molins reconheceu que se não houver vontade de reinserção por sua parte, a prisão não fará esse papel. Mas em qualquer caso perante “indivíduos impregnados desta ideologia mortífera, mantê-los fechados não é talvez a missão mais nobre, mas pelo menos tem a virtude de proteger a sociedade”.

Molins, em qualquer caso, se mostrou muito duro com a proposta de alguns políticos de direitas, como o ex-presidente Nicolas Sarkozy, de privar de liberdade em centros de retenção todas as pessoas fichadas por terrorismo pelos serviços secretos embora não haja argumentos para atuar judicialmente contra eles.

“É absolutamente impossível -argumentou-. Não pode haver detenção provisória fora de um procedimento penal. É a base do Estado de Direito. Não se pode deter alguém antes que tenha cometido uma infração”. 

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