Paraguai pede gestos democráticos da Venezuela

"Que solte os presos políticos, que faça gestos que o comprometam com a democracia", declarou o chanceler paraguaio

Os países do Mercosul querem que a Venezuela faça gestos concretos a favor da democracia para possibilitar a transferência da presidência temporária do Bloco para Caracas, disse nesta terça-feira à AFP o chanceler paraguaio, Eladio Loizaga.

“Que solte os presos políticos, que faça gestos que o comprometam com a democracia, de outro modo não haverá consenso para a entrega da presidência à Venezuela”, declarou Loizaga em mensagem dirigida ao presidente Nicolás Maduro.

“Deve assumir o compromisso de respeitar o que é dissidente. A bola agora está com a Venezuela”.

Loizaga viajou na segunda-feira a Montevidéu para um encontro informal dos chanceleres do Mercosul, mas não se reuniu com a ministra venezuelana das Relações Exteriores, Delcy Rodríguez, que também está na capital uruguaia.

No encontro ficou decidido adiar a transferência da presidência do bloco para a Venezuela.

“O Paraguai não vai acompanhar uma presidência que não represente os valores envolvendo a democracia e o respeito aos direitos humanos”, disse Loizaga à AFP.

O chanceler paraguaio destacou que preferiu não responder “aos excessos desta senhora, que foi muito grosseira”, em referência às declarações de Rodríguez, que o acusou de ser um expoente da ditadura passada no Paraguai.

Rodríguez, que se reuniu com o chanceler uruguaio, Rodolfo Nin Novoa, anunciou que a transferência da presidência para a Venezuela ocorreria nos próximos dias, mas foi desmentida por Loizaga.

O ministro paraguaio garantiu que a transferência da presidência temporária do Bloco não é automática e recordou que a Venezuela não incorporou ainda o protocolo de Assunção sobre os direitos humanos.

“Há compromissos não ratificados” pela Venezuela necessários para torná-la “um membro pleno” do Mercosul, destacou Loizaga, acrescentando que “está adiada a transferência da presidência pro tempore até que seja convocado o Conselho do Mercado Comum”, o que pode acontecer em agosto.

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