Por que os negacionistas do clima fazem tanto sucesso?

Eles representam uma fatia quase insignificante dentro da comunidade científica, mas sua influência na opinião pública, principalmente a americana, é gigante

São Paulo – Os negacionistas do clima representam uma fatia quase insignificante dentro da  comunidade científica, mas sua influência na opinião pública, principalmente a americana, é gigante. O motivo? Eles se saem melhor na “guerra das palavras”.

É o que mostra um estudo realizado por cientistas ambientais da Universidade Estadual de Michigan e divulgado em meio à reunião do clima da ONU, a COP 21, em Paris, onde mais de 180 nações tentam forjar um acordo para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, vilões do aquecimento global. 

A pesquisa, financiada pela National Science Foundation, indica que os defensores das mudanças climáticas falham em influenciar a opinião pública, apesar de todo o respaldo científico que possuem a respeito do tema.

Por outro lado, os “inimigos” das mudanças climáticas exercem maior influência com suas mensagens que negam a existência do aquecimento global ou reduzem sua importância.

Esta á primeira pesquisa do tipo a examinar a influência das mensagens negacionistas sobre os adultos dos Estados Unidos, segundo Aaron M. McCright, sociólogo e principal pesquisador do estudo.

Cerca de 1.600 adultos norteamericanos participaram da pesquisa. Eles leram uma série de artigos e notícias sobre as mudanças climáticas e, em seguida, completaram um questinários para avaliar suas opiniões sobre o assunto.

Os artigos continham três tipos de mensagens: informações positivas sobre as mudanças climáticas, informações negativas ou ambas.

As mensagens positivas sobre o tema da mudança climática giravam em torno de temas como oportunidades econômicas e saúde pública.

Um destes artigos dizia, por exemplo, que o “enfrentamento das mudanças climáticas seria uma forma de melhorar a saúde geral da população pela redução da probabilidade de eventos meteorológicos extremos, reduzindo os problemas de qualidade do ar e limitando a disseminação de pragas que carregam doenças infecciosas”.

Em outros artigos, os participantes da pesquisa foram apresentados a mensagens negativas, como a seguinte: “No entanto, a maioria dos líderes conservadores e políticos republicanos acreditam que o apelo à mudança climática feito por ambientalistas é muito exagerada, e que os cientistas liberais procuram financiamento do governo para suas pesquisas e os políticos democratas querem regular o negócio.”

Surpreendentemente, nenhuma das principais mensagens positivas alterou as opiniões dos participantes sobre a mudança climática. Contudo, quando as mensagens negativas foram apresentadas, as pessoas se mostraram mais susceptíveis a duvidar da existência da mudança climática – e isso vale tanto para os participantes que se declararam conservadores, quanto para os liberais.

“Esse é o poder da mensagem de negação”, disse McCright, professor associado da Universidade de Michigan. “É extremamente difícil mudar as mentes das pessoas que se opõem à mudança do clima, em parte porque elas estão absolutamente arraigadas aos seus pontos de vista.”

O estudo foi publicado no periódico científico Tópicos em Ciências Cognitivas.

Polêmica

Nesta semana, uma investigação sigilosa feita pela Ong ambientalista Greenpeace revelou que dois proeminentes céticos do clima estavam disponíveis para escrever relatórios que coloquem em dúvida os perigos representados pelo aquecimento global, relata o jornal britânico The Guardian.

Passando como consultores para empresas de combustíveis fósseis, ativistas da Ong se aproximaram de professores nas principais universidades dos Estados Unidos para encomendar relatórios divulgando os benefícios do aumento dos níveis de dióxido de carbono e os benefícios do carvão, um dos combustíveis que mais liberam gases nocivos na atmosfera. 

De acordo com o jornal, os resultados revelam como a informação paga para desafiar o consenso sobre a ciência climática pode ser apresentada ao público sem que ninguém saiba a fonte de financiamento por trás e os interesses setoriais envolvidos.

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