Professora dá lição sobre bullying usando duas maçãs

"Nós realmente ofendemos aquela pobre maçã. Comecei a me sentir mal por ela" disse a professora

A professora britânica Rosie Dutton encontrou uma criativa e bem eficaz maneira de se falar com as crianças sobre os efeitos do bullying.

Ela só precisou de duas maçãs.

Por fora, as frutas eram aparentemente iguais: grandes, bem vermelhas, daquelas que selecionamos na feira.

Só que, antes de levá-las para a sala de aula, Dutton bateu uma delas no chão repetidamente, mas de maneira delicada. As crianças não souberam disso.

Então ela apresentou as duas maçãs na aula e as crianças descreveram as semelhanças de ambas as frutas.

“Eu peguei a maçã que tinha jogado no chão e comecei a dizer às crianças o quanto eu não gostava dela, que eu a achava nojenta, com uma cor horrível e que o cabinho era muito curto. Eu disse a elas que, por eu não gostar daquela maçã, queria que elas também não gostassem, então elas deveriam xingar a fruta.”

As crianças olharam para Dutton com estranhamento, mas começaram a passar a maçã para os coleguinhas, sempre com um xingamento: “Você é fedida”, “nem sei por que você existe”, “você deve ter vermes dentro de você.

“Nós realmente ofendemos aquela pobre maçã. Comecei a me sentir mal por ela.”

Em seguida, Dutton encorajou as crianças a passarem a segunda maçã de um coleguinha para o outro, mas desta vez, dizendo palavras gentis. “Você é uma maçã adorável”, “sua casca é bonita”, “que cor bonita você tem”.

Depois a professora segurou as duas maçãs e, junto com as crianças, falaram sobre suas semelhanças e diferenças. As duas continuavam iguais.

Então Dutton cortou as duas maçãs ao meio. A maçã elogiada era clarinha, fresca e bem suculenta por dentro.

Já a maçã xingada estava toda machucada e molenga por dentro.

“Acho que as crianças tiveram uma espécie de iluminação naquele momento. Elas realmente entenderam, o que vimos no interior das maçãs, os machucados, os pedacinhos partidos, era como cada um de nós se sente quando alguém nos maltrata com suas ações ou palavras”, explica Dutton em seu post no Facebook sobre a experiência.

“Quando as pessoas sofrem bullying, especialmente as crianças, elas se sentem péssimas por dentro e e muitas vezes não demonstram nem falam como estão se sentindo. Se a gente não tivesse cortado aquela maçã para ver seu interior, nunca teríamos percebido quanta dor causamos a ela.”

Na semana anterior, Dutton havia compartilhado com as crianças uma situação em que ela ficou triste com as ofensas de uma pessoa.

“Diferentemente de uma pessoa, nós podemos impedir que isso aconteça. Podemos ensinar às crianças que não é certo dizer palavras grosseiras umas pras outras, e discutirmos os efeitos destas grosserias. Podemos ensinar às crianças a defender os coleguinhas e parar qualquer tipo de bullying, assim como uma aluna de hoje, que se recusou a dizer grosserias para a maçã.”

A esclarecedora lição foi dada em uma aula sobre emoções, chamada Relax Kids. Especificamente nesta aula, Dutton e a escola oferecem ferramentas e técnicas para as crianças lidarem com seus sentimentos e emoções, além de maneiras de superar qualquer tipo de estresse ou ansiedade.

Mas Dutton diz que essa postura vale para todas as aulas. Especificamente na aula sobre emoções, as atividades promovem o trabalho em equipe, o respeito, o apoio aos colegas, a resolução d conflitos, a autoestima e a confiança, e locais para onde as crianças podem recorrer caso precisem de ajuda.

A saúde mental de crianças e adolescentes tem se mostrado uma questão fundamental no Reino Unido, onde a ansiedade, o cyberbullying e os pensamentos suicidas estão aumentando entre jovens alunos ao mesmo tempo em que o atendimento nos serviços de saúde tem sido negado a muitas pessoas.

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