Refugiados correm para chegar à Europa antes de tempo ruim

Centenas se aglomeraram em um parque de Istambul na esperança de ter uma chance de alcançar a Europa antes que o tempo ruim torne perigosa demais a travessia

Istambul – Centenas de sírios e imigrantes de outros países se aglomeraram em um parque no centro de Istambul nesta quarta-feira, na esperança de ter uma última chance de alcançar a Europa antes que o tempo ruim torne perigosa demais a travessia da principal rota entre Turquia e Grécia.

“É hora de partir, enquanto a porta para a Europa está aberta”, disse Zopir, de 20 anos, que fugiu da cidade síria de Deir al-Zor há três anos e agora quer chegar à Europa antes que a esposa, grávida de oito meses, dê à luz. “Estou com medo, mas estou preparado.”

Zopir conseguiu juntar 8.000 euros (9.000 dólares) parar fazer a viagem, que começa no interior ou nos arredores do parque Aksaray, um bairro operário de Istambul, onde se pode contratar um “negociador”: um homem que trabalha na ponta para os traficantes de humanos que levam refugiados até a costa do Mar Egeu.

Zopir e sua esposa fazem parte de um recorde de 300 mil pessoas contabilizadas fugindo da guerra, perseguição e pobreza em direção à Europa, usando a Grécia como porta de entrada. O número é cinco vezes maior do que o registrado em 2014 e continua a crescer, segundo a Organização Internacional para Migração (OIM).

Agora, tal passagem está se tornando ameaçadora e logo se tornará instransponível à medida que o frio chega e os ventos se intensificam, agitando o Mar Egeu, que permanece plácido durante os meses de verão.

“Esta é a última semana. Depois disso, as ondas se tornam altas demais”, disse Joseph, um palestino de 37 anos que há quatro anos trabalha organizando a travessia de imigrantes. E

le não quis informar seu sobrenome. Traficantes menos escrupulosos podem aceitar organizar viagem com o tempo ruim, disse ele. Imigrantes de Síria, Iraque, Afeganistão chegam até Joseph, que coordena uma equipe de sete homens, por meio do boca a boca. Outros possuem até mesmo anúncios em páginas do Facebook mantidas por refugiados.

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