Separatista Puigdemont assume a presidência da Catalunha

O separatista Carles Puigdemont assume, nesta terça-feira, suas funções como novo presidente do governo da Catalunha

O separatista Carles Puigdemont assume, nesta terça-feira, suas funções como novo presidente do governo da Catalunha com a intenção de transformar a região mais rica da Espanha em uma república independente.

Será o início de um mandato curto, de 18 meses, segundo o mapa do caminho separatista, para avançar apressadamente até sua independência do reino da Espanha: a legislatura “da pós-autonomia e da pré-independência”, como define o novo presidente abertamente republicano.

Nesta terça-feira, tudo estava pronto para sua posse. Pela manhã, no boletim oficial do Estado já aparecia o decreto de nomeação assinado pelo rei Felipe VI, provavelmente um dos mais dolorosos de seu mandato, iniciado em 2014.

Às 19h00 locais (16h00, no horário de Brasília), durante uma cerimônia solene em um palácio gótico de Barcelona, sede do governo catalão, o presidente em fim de mandato Artur Mas, um nacionalista convertido ao separatismo, passará o poder a Puigdemont após cinco anos marcados por uma escalada de tensão com Madri.

Sua renúncia à reeleição foi o preço a pagar para que seja formada uma aliança entre as diferentes percepções separatistas, dos conservadores como Mas à esquerda radical, que havia obtido a maioria absoluta do Parlamento catalão após as eleições regionais de 27 de setembro.

Repudiado pelos 10 deputados da Candidatura de Unidade Popular (CUP, esquerda radical) devido a suas políticas de austeridade, Mas renunciou no sábado para evitar ua convocação de novas eleições e salvar seu projeto independentista estampado em uma polêmica resolução parlamentar aprovada em 9 de novembro.

Nela, os separatistas lançavam seu processo de secessão e declaravam sua “não submissão” às instituições espanholas.

Começam os trabalhos

Agora, Puigdemont, segundo o acordado nesta moção, tem um mês para iniciar o trâmite das leis destinadas a criar uma secretaria de fazenda e uma Previdência social catalãs.

“A agência de segurança social está pouco desenvolvida, mas a agência tributária está mais avançada. Temos muito trabalho a fazer e estamos contratando pessoal”, explicou à AFP um porta-voz do departamento de Economia catalão.

Em Madri, o governo do conservador Mariano Rajoy, que conseguiu anular, através do Tribunal Constitucional, a resolução parlamentária, advertiu que não aprovará nenhum ato ilegal.

Segundo o jornal on-line El Confidencial, já foram tomadas medidas para proteger os dados de quase 1,6 milhão de pensionistas catalães que poderiam interessar ao governo regional para seu projeto de previdência social independente.

O novo executivo de Puigdemont, do partido conservador CDC, será formado por membros de diferentes partidos separatistas da coalizão Juntos pelo Sim (62 deputados), ganhadora das eleições de setembro.

Seu braço direito será Oriol Junqueras, presidente do histórico partido separatista Esquerda Republicana (ERC). Ele controlará a vice-presidência e a área econômica encarregada de aplicar as medidas sociais prometidas à CUP, como proibir cortes na água, luz e gás de famílias pobres, frear as ordens de despejo e elevar progressivamente o salário mínimo.

O ecologista de direita Raul Romeva, ex-deputado europeu, será encarregado das Relações Exteriores, com o objetivo de chamar a Europa para mediar a relação entre Barcelona e Madri.

Desde 2010, impulsionado pela crise e por uma escalada das tensões com as instituições espanholas, o separatismo cresceu exponencialmente nesta região mediterrânea de 7,5 milhões de habitantes, que detém um quinto da riqueza nacional.

Nas últimas eleições regionais, cerca de 47,8% dos eleitores apoiaram os partidos separatistas que, ante a infrutífera reivindicação de um referendo de autodeterminação como o celebrado na Escócia em 2014, querem avançar unilateralmente.

Isto pode desencadear movimentos em Madri, onde Rajoy enfrenta grandes dificuldades para formar um governo depois de ter obtido somente 28,7% dos votos e 123 dos 350 assentos do Parlamento nas legislativas de dezembro.

Se não conseguir, o partido socialista PSOE (22% dos votos e 90 assentos) pretende formar uma coalizão progressista.

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