Situação é crítica para vítimas de terremoto no sul da Ásia

O terremoto de 7,5 graus de segunda-feira deixou mais de 380 mortos nos dois países, destruiu milhares de casas e danificou as infraestruturas

Sobreviventes do terremoto no Paquistão e Afeganistão afirmaram nesta quinta-feira que a situação nas áreas de difícil acesso é crítica, com famílias inteiras dormindo a céu aberto, sob temperaturas glaciais.

O terremoto de 7,5 graus de segunda-feira deixou mais de 380 mortos nos dois países, destruiu milhares de casas e danificou as infraestruturas.

A situação é dramática pela combinação dos danos da tragédia, a topografia íngreme da região e a presença de rebeldes talibãs em alguns pontos.

O cenário é especialmente complicada no distrito de Chitral, extremo noroeste do Paquistão, afetado por inundações há três meses.

“Normalmente temos nossas próprias reservas (de emergência), mas nós as usamos durante as inundações”, disse Muhamad Bahadur, funcionário da localidade de Darosh.

“Quase 2.500 casas ficaram completamente destruídas. Como poderíamos responder às necessidades, quando não restavam mais que 70 barracas? Centenas de crianças dormem a céu aberto”, explicou.

Ele disse que as autoridades tentam mobilizar as organizações humanitárias antes da chegada do inverno.

Chitral fica na província paquistanesa de Khyber Pajtunjwa, a mais afetada pelo tremor.

O epicentro do terremoto foi localizado no Afeganistão, mas o fenômeno provocou mais vítimas no vizinho Paquistão, com pelo menos 267 mortos, 1.800 feridos e 11.000 casas destruídas.

O exército paquistanês coordena as operações de resgate, com o envio de material e equipes médicas.

Mas nas áreas mais afastadas, os moradores não recebem ajuda.

Várias ONGs alertam para a necessidade de proporcionar abrigo e produtos de higiene. A ONU está muito preocupada com as crianças.

“O inverno está chegando, em breve tudo estará coberto de neve e as crianças não resistirão ao frio”, afirmou à AFP Shahroon, morador de Usiak, no distrito de Chitral.

Todos as crianças de sua família estão dormindo a céu aberto.

“Se ficarmos aqui, as crianças vão morrer. Perdemos tudo e não podemos esperar para ver nossos filhos morrendo diante de nossos olhos”, disse.

A família pretende ficar na região se o governo ajudar na construção de uma casa antes da chegada da neve.

“Se isto não acontecer, iremos para Rawalpindi ou Peshawar, ou para outras cidades. Ou pediremos esmola nas estradas”, confessou.

No Afeganistão, alguns sobreviventes permanecem isolados nas montanhas de Badajshan (nordeste). Parte da província e outras áreas estão sob poder dos insurgentes talibãs.

O movimento talibã convocou seus combatentes a fornecer “ajuda incondicional” aos socorristas, mas os combates não pararam, nem sequer na área afetada pelo terremoto, que deixou 115 mortos, centenas de feridos e 7.000 casas destruídas no país.

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