Suécia endurecerá condições para refugiados

País também aumentará controle em fronteira para conter onda de refugiados dos últimos meses

Copenhague – O governo da Suécia apresentou nesta terça-feira um novo pacote de medidas para endurecer as condições para os solicitantes de asilo e aumentar os controles fronteiriços para conter a onda de refugiados dos últimos meses.

A coalizão de social-democratas e verdes que governa a Suécia em minoria, país que tem uma das políticas de asilo mais generosas da Europa, pretende ajustar de forma temporária as regras nacionais ao nível mínimo da UE para reduzir de forma “substancial” a chegada de refugiados para que eles solicitem proteção em outros países.

“A Suécia já não é capaz de receber peticionários mantendo o alto nível de até agora. Me dói dizê-lo”, disse em entrevista coletiva o primeiro-ministro, Stefan Löfven, que falou de uma “situação insustentável” e de um “desenvolvimento dramático”.

O pacote de medidas, que vigorará por três anos, estabelece permissões temporárias para todos os refugiados, esceto os do sistema de cotas de distribuição, e limita também o direito ao reagrupamento familiar, além de endurecer os requisitos econômicos para poder manter os familiares.

Os controles fronteiriços provisórios, restaurados há duas semanas, incluirão todo o transporte coletivo que chegue à Suécia, e não só, como acontecia até agora, dos trens que ligam Copenhague a Malmö e as rotas marítimas desde Alemanha.

Löfven anunciou que haverá uma reunião com os partidos da oposição de centro-direita, com quem pactuou há um mês uma primeira reforma das regras de asilo. Tudo indica que darão o apoio necessário ao governo.

“Acolhemos 80 mil pessoas nos últimos dois meses, o que equivaleria a 25 milhões em um ano na União Europeia. A Suécia é um pequeno país que faz um esforço enorme”, afirmou Löfven, que reivindicou uma solução conjunta em nível comunitário.

A Suécia, país da UE que mais refugiados per capita acolhe, espera até 190 mil peticionários em 2015, segundo o último cálculo da direção-geral de Migrações, que teve que recorrer a barracões, antigas prisões, escolas e acampamentos para alojá-los, e agora estuda usar navios e plataformas.

“É uma decisão terrível”, afirmou entre lágrimas a vice-primeira-ministra, a ecologista Åsa Romson, que justificou que seu partido continue no governo, apesar das críticas internas, porque se não haveria risco de serem aprovadas medidas “ainda mais horríveis”, apontando para as pressões da oposição.

As reformas anteriores promovidas pelo governo sueco parecem já ter provocado um leve descenso no número de peticionários: na semana passada foram registrados 1.222, frente aos 1.507 da anterior, segundo números oficiais. 

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