Todos os problemas de Merkel

Quando a maré não está boa, até mesmo os fatos positivos podem ser encarados como ruins. Assim será quando a Alemanha divulgar nesta terça-feira os dados do PIB do terceiro trimestre. Será um crescimento — portanto boa notícia —, mas ainda será pouco para sair da frequente baixa expansão da economia. Segundo as previsões do mercado, a maior economia da Europa deve ter crescido entre 0,3% no período — uma queda de 0,1 ponto percentual em relação ao trimestre anterior e um crescimento de 0,1 ponto em relação ao mesmo período do ano passado.

O cenário de expansão lenta deve continuar, apesar dos indicadores industriais mais recentes indicarem uma aceleração neste final de ano. O Bundesbank, o banco central alemão, espera que o país feche 2016 com crescimento de 1,7%. O mesmo resultado de 2015 e, praticamente, o mesmo de 2014, quando ficou em 1,6%.

Crescer em um ritmo acelerado é essencial para a sobrevivência das políticas da chanceler Angela Merkel, que enfrenta eleições em outubro de 2017. Com um crescimento vigoroso passar a ser mais fácil absorver — e empregar — imigrantes, além de impulsionar toda a economia da União Europeia.

Com o crescimento baixo, o país assiste ao avanço do partido AfD, famoso por suas posições eurocéticas, xenófobas e contrárias ao livre-comércio. A agremiação conquistou posições em 10 dos 16 parlamentos regionais em eleição realizada em setembro, tornando-se em muitos deles a segundo força política — atrás apenas do social democrata SPD e do partido de Merkel, o CDU.

O que poderia ser um fato positivo para a chanceler seria a decisão do CDU, na segunda-feira, em apoiar Frank-Walter Steinmeier, atual ministro das relações exteriores filiado ao SPD, como próximo presidente do país. Embora a posição seja cerimonial e feita a partir de uma escolha parlamentar, Steinmeier poderá ser uma importante voz contrária à guinada à direita na Europa e no mundo. Ele, por exemplo, já fez duras críticas a Donald Trump e ao AfD chamando-os de “propagadores do ódio”. No entanto, o favorito de Merkel era o ministro das finanças, Wolfgang Schäuble, indicando mais uma derrota da chanceler. Está longe, portanto, de ser uma semana de boas notícias em Berlim.

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