Trudeau: um liberal em Cuba

Após o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, ter lançado incertezas sobre o futuro da aproximação americana com Cuba, o primeiro-ministro canadense preenche o vácuo de liderança liberal. Justin Trudeau, 40 anos após visita histórica de seu pai à ilha comunista, chega ao país nesta terça-feira para reunião privativa com o presidente Raul Castro, com o objetivo de renovar e estreitar laços.

A vontade de aproximação não surpreende. O Canadá foi um dos únicos países da América, junto com o México, a não cortar relações com Cuba, após a revolução de 1962. O país também sempre criticou o embargo imposto pelos Estados Unidos aos cubanos, flexibilizado apenas no ano passado, durante a gestão de Barack Obama. É importante lembrar que a prisão política de Guantánamo também permanece ativa, apesar de o presidente americano ter prometido fechá-la. Nessa segunda-feira, Trump afirmou: “vamos carregá-la com alguns caras maus, acredite em mim”.

Num momento de retomada de tensões e num mundo cada vez mais apavorado com suas fronteiras, a presença de Trudeau em Cuba é uma brisa de sensatez. A relação entre os dois países é excelente – cerca de 40% dos turistas que visitam Havana são canadenses e o comércio bilateral entre os dois países gira em torno de 1 bilhão de dólares por ano. Seu pai, o então primeiro-ministro Pierre Elliott Trudeau, foi o responsável pelo início das boas trocas, ao visitar o país em 1976, em plena Guerra Fria. Manteve por décadas uma relação próxima com Fidel Castro que, em 2000, compareceu ao seu sepultamento em Montreal.

Desde a Segunda Guerra Mundial, o Canadá mantém a tradição de se aproximar das mais diversas nações do mundo, recebendo e estimulando a entrada de imigrantes e refugiados. Só em 2017, serão 300.000 novas pessoas chegando ao país – número que deve aumentar, ano a ano, até 2030. Claro que, para um país próximo ao Ártico cuja única fronteira é com os Estados Unidos, conflitos territoriais nunca foram um problema. Mas a visita de Trudeau, num momento conturbado como o atual, mostra que o temor de romper fronteiras pertence apenas aos radicais, que fecham cada vez mais portas no mundo.

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