Turquia prende 3 militares acusados de golpe e espionagem

As detenções ocorreram por ordem da Promotoria de Istambul, a mesma que na semana passada determinou a polêmica prisão, sob acusações similares, de jornalistas

Ancara – As autoridades da Turquia prenderam dois generais da ativa e um coronel da reserva sob a acusação de espionagem, tentativa de golpe de Estado e fundação de uma organização terrorista armada, informou nesta segunda-feira o jornal “Hürriyet”.

O jornal explica que as detenções ocorreram ontem à noite por ordem da Promotoria de Istambul, a mesma que na semana passada determinou a polêmica prisão, sob acusações similares, dos jornalistas Can Dündar e Erdem Gül, o que provocou uma onda de protestos dentro e fora do país.

Os generais Aydin e Hamza Celepoglu, assim como o coronel Burhanettin Cihangiroglu, serão processados pela interceptação e apreensão de caminhões que levavam armas contrabandeadas a milícias na Síria.

Dündar e Gül foram presos por terem publicado, em maio, o boletim de ocorrência feito quando esses veículos foram apreendidos, o que ocorreu em janeiro de 2014.

O governo rebateu os documentos, nos quais vê traição, e afirma que os caminhões levavam ajuda humanitária, e não armas, às comunidades turcomanas na Síria.

A apreensão de caminhões que estavam sendo escoltados por agentes dos serviços secretos, e cujo conteúdo era, portanto, segredo de Estado, seria para a Promotoria uma evidência de espionagem.

A acusação de tentativa de golpe de Estado se refere à suposta vinculação dos acusados às redes de simpatizantes do exilado Fethullah Güllen.

Esses grupos foram classificados por vários promotores como “organização terrorista”, cuja finalidade seria dar um golpe de Estado por meio da infiltração nos serviços de polícia e no Judiciário.

Segundo o primeiro-ministro, Ahmet Davutoglu, a interceptação e a apreensão dos caminhões foi um complô contra três pessoas: seu antecessor e hoje presidente do país, Recep Tayyip Erdogan, o diretor do Serviço Nacional de Inteligência, Hakan Fidan, e contra ele próprio, que ocupava então o cargo de ministro das Relações Exteriores.

“Essa foi uma atividade traidora destinada a levar a três de nós ao Tribunal Penal Internacional”, disse Davutoglu a um grupo de jornalistas que o acompanhou em sua viagem à cúpula com a União Europeia (UE) no último domingo, em Bruxelas.

Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s