Ucrânia retoma consulta para formar nova coalizão de governo

"Agora é evidente que há uma reivindicação por uma completa renovação do governo, já que qualquer reforma não desperta confiança popular"

Kiev – O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, retomou nesta segunda-feira as consultas para formar uma nova coalizão de governo, em uma tentativa de evitar a convocação de eleições parlamentares antecipadas.

“Agora é evidente que há uma reivindicação por uma completa renovação do governo, já que qualquer reforma não desperta confiança popular e será muito difícil conseguir o apoio da câmara”, informou Stepan Kubiv, porta-voz de Poroshenko na Rada Suprema (Legislativo).

Kubiv garantiu que “o momento para a renovação parcial já passou” e insistiu na necessidade de “pôr fim à luta entre os partidos”, em referência à ruptura em meados de fevereiro da coalizão governante.

Como informou o porta-voz da presidência, Sviatoslav Tsegolko, o objetivo das consultas de Poroshenko com os líderes políticos é “apressar a saída da crise política, já que todos entendem que para formar um novo governo é necessária uma nova coalizão”.

Tsegolko avaliou que a Ucrânia tem três opções, um “governo tecnocrata” liderado por Natalia Yaresko, ministra de Finanças desde dezembro de 2014 – que nasceu nos EUA, mas que vive na Ucrânia há 20 anos.

A segunda opção seria um “governo político”, com Andrei Sadovi como primeiro-ministro. Ele é prefeito da cidade de Lviv – a mais importante do oeste da Ucrânia – e líder do partido Autoajuda, que abandonou a coalizão após pedir a renúncia do atual chefe de governo, Arseni Yatseniuk.

Caso nenhuma dessas opções prospere, o porta-voz ressaltou que Poroshenko está disposto a trabalhar com o candidato que a maioria na Rada propuser.

O chefe da fração do governista Bloco Petro Poroshenko, Yuri Lutsenko, afirmou que “faz muito tempo” que seu partido espera que Yatseniuk renuncie para apresentar uma nova candidatura à chefia do Executivo.

Há poucos dias, em uma entrevista ao jornal “Financial Times”, Yatseniuk deu um ultimato a Poroshenko para que mostrasse seu apoio incondicional ou assumisse sua responsabilidade, assinando sua destituição e formando um novo governo.

“Ou me apoia ou me destitui”, disse Yatseniuk, que superou em 16 de fevereiro uma moção de censura depois de 39 deputados governistas burlassem a disciplina parlamentar e votassem contra essa proposta.

A maioria dos deputados acusa o primeiro-ministro de ser incapaz de combater a corrupção e de introduzir as reformas estruturais cobradas pela comunidade internacional.

A ex-primeira-ministra Yulia Tymoshenko, líder do Batkivschina, partido que também deu as costas em fevereiro à coalizão europeísta, lembrou hoje que faltam cinco dias para que expire o prazo máximo de 30 dias para formar uma nova coalizão.

Tymoshenko é a única política que defendeu abertamente a convocação de eleições antecipadas, já que, segundo as pesquisas, o seu é um dos partidos que subiu mais nas pesquisas de intenções de voto.

Por outro lado, outros analistas consideram que o parlamento tem mais tempo do que esses 30 dias, já que a coalizão está rompida do ponto de vista político, mas não jurídico, já que só Batkivschina retirou sua assinatura do acordo de coalizão.

A incapacidade de formar uma nova coalizão de governo impediu a Ucrânia de aprovar e realizar as reformas e medidas anticorrupção que são pedidas pela UE e pelo Fundo Monetário Internacional para conceder novos créditos e evitar a moratória.

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