UE conclui última cúpula de ano considerado dramático

"Para 2016 não tenho ilusões", disse nesta sexta-feira o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker

A União Europeia conclui nesta sexta-feira sua última cúpula de 2015, um “ano dramático”, marcado pelos atentados em Paris, pela ameaça de uma saída da Grécia da zona do euro e por uma grave crise migratória que ameaça suas bases, que o Reino Unido quer modificar.

“Para 2016 não tenho ilusões”, disse nesta sexta-feira o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, interrogado sobre os temas que espreitam o bloco.

Já o presidente do Parlamento Europeu, Martin Schulz, havia evocado pouco antes um 2016 “dramático”.

“Um ano assim, que começa e termina marcado pelo terror, marcado pelo medo, por crises econômicas, sociais e do mercado de trabalho profundas, marcado pelo afastamento que se opera entre os Estados membros como nunca aconteceu até agora (…) nunca vivi um ano como este”, disse.

A luta contra o terrorismo está na agenda dos presidentes nesta sexta-feira em Bruxelas, que se reúnem pela primeira vez desde os sangrentos atentados em Paris de 13 de novembro, nos quais 130 pessoas morreram e centenas ficaram feridas.

Nas conclusões da cúpula que as 28 delegações redigiram, os presidentes reservam uma grande parte à “luta contra o terrorismo”, segundo um rascunho consultado pela AFP.

Os atentados em Paris “só reforçaram nossa resolução em continuar combatendo o terrorismo”, indicam.

Destacam que os ataques demonstraram a urgência de melhorar a troca de informações dos europeus que partem para combater na Síria nas fileiras dos jihadistas ou das bases de dados de supostos colaboradores do terrorismo.

Os líderes também celebram o acordo alcançado para criar um registro de nomes de passageiros (PNR em inglês), uma ferramenta para lutar contra a criminalidade que permite seguir o rastro dos passageiros que utilizam as linhas aéreas comerciais.

Vários dos supostos autores dos atentados de Paris viajaram à Síria e retornaram à Europa sem ser detectados. As autoridades esperam que este registro permita evitar que uma situação similar se reproduza.

Entre outros dos pontos da luta contra o terrorismo, os presidentes consideram crucial que os Estados membros “implementem os controles sistemáticos nas fronteiras externas” da UE, incluindo os cidadãos europeus, e impeçam assim a infiltração de jihadistas.

Quase um milhão de refugiados

Na quinta-feira, os presidentes prometeram frear o fluxo de migrantes que chegam à UE e se comprometeram a dar uma resposta até junho à proposta de criar um corpo de guardas fronteiriços europeus.

Para isso decidiram avançar rápido nas medidas já decididas após duras negociações entre os 28 e em sua implementação em terra.

Também contam com a Turquia, a quem prometeram 3 bilhões de euros em ajuda para que filtre suas fronteiras e acolha em seu território os refugiados.

No total, 950.000 migrantes, essencialmente refugiados sírios, chegaram à Europa em 2015.

O ano de 2014 já havia revelado profundas divisões entre o Leste e o Oeste do bloco pelas sanções à Rússia por seu envolvimento no conflito interno na Ucrânia.

Neste ano voltaram a ficar em evidência e deixaram o bloco à beira da implosão quando foram necessários seis meses para negociar com a Grécia seu resgate ou sua saída do euro.

Para não repetir a mesma situação, na qual os Estados membros se dividem, a UE decidiu buscar um compromisso com Londres sobre as reformas no bloco pedidas pelo primeiro-ministro David Cameron antes do referendo sobre a permanência do Reino Unido na UE, no fim de 2017.

Os presidentes, reticentes a algumas das demandas de Cameron, se mostraram consensuais e dispostos a buscar um compromisso, que esperam poder alcançar até a cúpula do fim de fevereiro.

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