Venezuela não mudará pena de opositor preso

A corte analisava um recurso contra a pena do preso Leopoldo López de 13 anos e nove meses

A Venezuela desconsiderou os pedidos dos Estados Unidos em favor do opositor preso Leopoldo López, depois da ratificação de sua condenação a quase 14 anos de prisão, e acusou o político de ser um agente de Washington.

A chanceler Delcy Rodríguez assinalou no Twitter que a Venezuela “rejeita enfaticamente” as declarações da porta-voz do departamento de Estado Elizabeth Trudeau, que classificou de “injustiça” a decisão de uma corte de apelações.

“Os Estados Unidos defendem e protegem seu principal agente na Venezuela, formado e preparado nesse país para tomar o poder violentamente”, escreveu Rodríguez, denunciando “um duplo padrão” de Washington em termos de direitos humanos.

No último dia 12, um tribunal de apelações da Venezuela confirmou a pena contra López.

A corte analisava um recurso apresentado pelo líder do partido Vontade Popular contra a pena de 13 anos e nove meses de prisão que lhe foi imposta em setembro de 2015.

Preso desde fevereiro de 2014, López foi declarado culpado de incitar a violência durante a onda de protestos ocorrida no mesmo ano para exigir a renúncia do presidente Nicolás Maduro. A violência durante as manifestações deixou 43 mortos.

No dia 23 de julho passado, durante a audiência de apelação, López se declarou “inocente”.

“Assumo minha responsabilidade plena por ter denunciado o Estado venezuelano como corrupto, deficiente, antidemocrático e repressor”, declarou López em gravação divulgada no Twitter.

López também afirmou que as manifestações que convocou foram pacíficas e no exercício do direito dos venezuelanos.

A defesa, que acusa a Justiça de estar a serviço do governo, afirma que houve “alteração de má-fé” do material probatório e “erros graves de procedimento” no julgamento original, o que exige a anulação da sentença e a libertação de López.

A decisão do tribunal também foi rejeitada pela aliança opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), que controla o Parlamento e está empenhada em realizar o referendo para tirar Maduro do poder.

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