5 anos de Tim Cook como CEO da Apple em 5 pontos

Em entrevista ao Washington Post, Cook falou sobre o futuro do iPhone, sua marca na gestão da companhia e a responsabilidade social da Apple

São Paulo – Para Tim Cook, CEO da Apple, o trabalho de presidente é “solitário” e, para amenizar a pressão, ele busca conselhos de grandes personalidades, como o megainvestidor Warren Buffet.

Cerca de cinco anos depois de substituir Steve Jobs e assumir o cargo de CEO da Apple, Cook deu uma extensa entrevista ao Washington Post.

Ele falou sobre o futuro do iPhone, sua marca na gestão da companhia, a sua responsabilidade social e as batalhas com o FBI e investidores.

Leia a entrevista completa, em inglês, aqui. Abaixo, os principais pontos da entrevista e de seu período como presidente de uma das maiores empresas do planeta.

Não será o próximo Steve Jobs

Ao falar sobre o antigo CEO da Apple, que morreu de câncer em 2011, Cook ficou bastante comovido. Nos cinco anos em que assumiu o papel de presidente, ele não tentou substituir a personalidade de Jobs.

Enquanto o fundador da empresa da maçã tinha uma personalidade marcante e por vezes intempestiva, Cook é mais sistemático, transparente e humilde, diz a entrevista. 

Uma marca de sua gestão é o trabalho em equipe. Cook desenhou a companhia de forma mais horizontal, para que os times de serviços, hardware e software trabalhem juntos.

Segundo ele, isso faz mais sentido para o consumidor: o iPhone, iPad e Mac precisam funcionar de forma semelhante e, por isso, as equipes precisam estar sincronizadas.

Conselhos com grandes nomes

Tim Cook é conhecido por procurar ajuda e conselhos tanto dentro quanto fora da companhia, segundo a entrevista. Para decidir quanto a Apple deveria pagar de dividendos a seus acionistas, por exemplo, Cook ligou para o megainvestidor Warren Buffet.

Ele também buscou um grande nome antes de testificar no Senado sobre a questão dos impostos da Apple. A companhia estava mantendo parte de seus lucros na Irlanda para não pagar pesados tributos ao repatriar os valores. Então pediu conselhos ao CEO do Goldman Sachs, Lloyd Blankfein, que já havia passado pela experiência, e ao ex-presidente Bill Clinton.

A dominância do iPhone

Ainda que tenha sido criado por Steve Jobs, foi sob a batuta de Cook que o iPhone atingiu o tamanho que tem hoje, com mais de um bilhão de aparelhos vendidos.

Em 2015, a receita da venda do smartphone foi de US$ 155 bilhões, muito mais que o faturamento de muitas empresas de grande porte. É também, de longe, o produto mais forte da companhia. Em 2011, correspondia a 44% das vendas e em 2015 a fatia foi de 62,33%.

Entretanto, o aparelho sofreu o seu segundo trimestre seguido de queda nas vendas, prejudicando o resultado de toda a empresa.

Tim Cook, porém, não se abala. “A economia mundial não está das melhores no momento. Mas, ao olhar a longo prazo, esse é o melhor mercado do planeta”. Segundo ele, o desenvolvimento da assistente pessoal Siri, da realidade aumentada e da inteligência artificial são o futuro do iPhone. 

Focos de crescimento

Além do desenvolvimento dos seus produtos atuais, a empresa olha para outras oportunidades para continuar relevante. A expansão da infraestrutura de rede móvel da Índia, país onde a Apple ainda tem pouca participação, é uma delas.

Outro foco é o avanço dos serviços, como iCloud, App Store e Apple Pay. Em apenas 12 meses, o faturamento do segmento cresceu de US$ 4 bilhões para R$ 23 bilhões.

A empresa também está trabalhando com fortes parcerias, como SAP, IBM e Cisco para melhorar o trabalho de empresas com seus produtos.

Direitos humanos

A decisão de se assumir gay de forma pública também tem muita relação com o estilo de gestão de Tim Cook. O anúncio foi pensado, meticulosamente e por quase um ano, sobre como, onde e quando deveria ser feito.

Tim Cook decidiu tornar essa parte de sua vida pessoal pública pensando em pessoas que acreditavam que não teriam sucesso por serem gays.

“Acho que toda geração tem a responsabilidade de aumentar o significado de direitos humanos. Eu vejo que o CEO da Apple deveria participar da discussão nacional desse tipo de questão”, afirmou.


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