A nova fase da Vale

Após semanas de especulação, os controladores da Vale (agrupados na Valepar) chegaram a um acordo que surpreendeu até os investidores mais otimistas. A empresa anunciou nesta segunda-feira um plano, sujeito à aprovação da assembleia de acionistas, de fazer da Vale uma empresa “sem controle definido”. Para isso, a mineradora vai acabar com as ações preferenciais e ingressar no mais alto segmento de governança da BM&FBovespa, o Novo Mercado, em até três anos.

“É difícil imaginar como o acordo poderia ser melhor do que isso. Isso traz maior segurança principalmente para investidores estrangeiros, que não entendem a jabuticaba brasileira que é a ação preferencial”, diz Marco Saravalle, analista da XP Investimentos. Após o anúncio, as ações ordinárias da companhia subiram 6,9% e as preferenciais, 6,1%. Com isso, a mineradora ganhou mais de 11 bilhões de reais em valor de mercado em apenas um dia. As ações da holding Bradespar tiveram a maior alta do dia no Ibovespa, 16,6%.

O acordo atual entre os acionistas da Valepar (os fundos de pensão estatais Previ, Funcef, Petros e Funcesp; a empresa de participações Bradespar; a mineradora japonesa Mitsui e o braço de participações do banco BNDES, o BNDESPar), que vence em maio, será prorrogado até novembro para garantir a transição para o novo modelo.

Os antigos integrantes da holding Valepar, que será incorporada pela Vale, assinarão um novo acordo que travará seus papéis em até 20% do total de ações ordinárias da companhia, com duração até novembro de 2020, sem previsão para renovação. Hoje a Valepar tem 33,7% do capital total da Vale e 53,8% das ações ordinárias.

“Estamos diante de uma oportunidade histórica para a Vale, um marco que pode ser tão importante quanto a privatização foi há 20 anos”, disse o presidente da companhia Murilo Ferreira, em teleconferência nesta segunda-feira.

O próximo assunto importante na pauta da mineradora é justamente o futuro de Ferreira, cujo mandato vence em maio. As últimas notícias divulgadas afirmam que Ferreira, que foi escolhido pela ex-presidente Dilma Rousseff em 2011, deverá ser substituído por alguém com “trânsito” com o mercado indicado pelo presidente Michel temer. Mas há a pressão para que ele fique. Seja quem for o próximo presidente, sofrerá muito menos pressão do governo.

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