Bancos estão otimistas com fusões e aquisições após Brexit

Os negociadores que enfrentam uma turbulência mundial nos mercados financeiros e cambiais estão encontrando motivos para estarem confiantes

Os negociadores que enfrentam uma turbulência mundial nos mercados financeiros e cambiais desde que os eleitores do Reino Unido decidiram sair da União Europeia estão encontrando motivos para estarem confiantes.

Até o momento, este ano foi relativamente melancólico porque as atividades de fusões e aquisições internacionais caíram 14 por cento em relação ao mesmo período de 2015, quando o mercado caminhava para o recorde, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

As empresas refrearam as vendas de ações e as aquisições porque a incerteza gerada pelo Brexit pairava sobre as grandes transações.

As autoridades reguladoras também interferiram, aniquilando diversos meganegócios de alto perfil. Pfizer e Allergan puseram fim a uma fusão de US$ 160 bilhões, que teria sido a maior transação da história do setor farmacêutico, depois que autoridades reguladoras dos EUA propuseram regras para reduzir acordos que deixem as empresas com uma conta tributária menor por transferirem o endereço fiscal para um regime de custo mais baixo.

A UE bloqueou a oferta da CK Hutchison Holdings pela O2, da Telefónica, uma aquisição que teria criado a maior operadora de telefonia móvel do Reino Unido.

A Honeywell International abandonou uma oferta de US$ 90 bilhões pela United Technologies, e a empresa-alvo disse que uma combinação seria improvável devido a claros obstáculos regulatórios.

No entanto, com o voto pelo Brexit decidido, os mercados financeiros foram sacudidos, mas estão intactos. Transações que tinham sentido antes do referendo, em grande parte, ainda têm sentido agora, e as empresas continuam buscando meios para crescer, de acordo com uma pesquisa da Bloomberg com importantes negociadores.

Compradores chineses ainda estão à caça de aquisições no exterior, e os bancos centrais estão empenhados em manter a fluidez das empresas financeiras.

Michael Carr, codiretor de fusões e aquisições internacionais, Goldman Sachs:

“A atividade chinesa de fusões e aquisições no exterior compreendeu quase 25 por cento do total mundial em 2016. Embora essa proporção pareça alta para os seis primeiros meses do ano, projetamos que os chineses vão continuar fazendo aquisições mundo afora. Eles têm uma motivação estratégica e de longo prazo e gostariam de continuar movimentando parte de seus US$ 2 trilhões em reservas estrangeiras fora da China”.

Hernán Cristerna, codiretor de fusões e aquisições internacionais, JPMorgan:

“Os motores fundamentais da atividade de fusões e aquisições — complementar o crescimento sem brilho do volume orgânico — continuam intactos, e é possível ver evidências disso na série de anúncios de transações significativas dos últimos meses”.

Paulo Pereira, sócio da Perella Weinberg Partners:

“Os altos níveis de incerteza gerados pelo resultado do referendo do Reino Unido e pelas eleições que serão realizadas nos EUA vão sufocar a atividade como um todo, mas as transações que estão sustentadas por motores estratégicos sólidos continuarão sendo buscadas”.

Séverin Brizay, diretor de fusões e aquisições para Europa, Oriente Médio e África do UBS em Londres:

“O Brexit vai gerar certa incerteza por um tempo, e a incerteza é negativa para as fusões e aquisições. No entanto, o Reino Unido sempre apresentará oportunidades, e há um ponto positivo, porque qualquer correção de valor do mercado abrangente será favorável para o private equity que tiver capital para investir.”

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