Como fica a separação da HP no Brasil

Aqui, da mesma maneira que a nível global, a Hewlett Packard Enterprise acabou ficando responsável pela maior parte da estrutura da antiga corporação

São Paulo – A antiga HP está oficialmente dividida desde segunda-feira (2), quando duas novas empresas, a Hewlett Packard Enterprise e a HP Inc., foram lançadas em bolsa, nos Estados Unidos.

Enquanto a primeira cuidará da unidade de serviços e equipamentos corporativos, a segunda vai tocar os negócios de computadores pessoais e impressoras, direcionados ao consumidor final.

Internamente, porém, as duas recém-criadas companhias já funcionavam separadas desde o dia 1º de agosto, inclusive no Brasil.

Por uma exigência da SEC (a CVM norte-americana), elas precisam ter operações completamente independentes, inclusive no ambiente físico.

O plano de cisão, o maior da história, havia sido anunciado há pouco mais de um ano. No país, da mesma maneira que a nível global, a Hewlett Packard Enterprise acabou ficando responsável pela maior parte da estrutura da antiga corporação.

Por aqui, ela será comandada por Luciano Corsini, que já era CEO da antiga HP  assim como a presidência global continuará sob a batuta de Meg Whitman. 

A HP, por sua vez, será presidida por Claudio Raupp, que já comandava localmente a área de computadores e impressoras, no cargo de vice-presidente.

Dos cerca de 7.500 funcionários que a empresa de tecnologia tinha no Brasil, aproximadamente 6.000 foram para a Hewlett Packard Enterprise e 1.500 para a HP.

A sede antiga no condomínio Alphaville, no estado de São Paulo, que existe desde 1967, também ficou para a Hewlett Packard Enterprise, bem como data centers, unidades de outsourcing e a fábrica de hardware própria.

A parte administrativa da nova HP mudou-se praticamente inteira para um outro edifício, também em Alphaville. A produção dos computadores e impressoras da marca, entretanto, já era terceirizada para a Flextronics e continuará dessa forma.

Como foi a separação

As duas unidades de negócio que viraram novas empresas já operavam bem independentes uma da outra. O desafio maior foi dividir as equipes  e atividades  de áreas corporativas comuns, como RH, finanças, controladoria, TI e jurídico.

Para cuidar disso, a antiga HP criou um comitê de gestão de separação (SMO, na sigla em inglês). No Brasil, dois funcionários comandaram esse departamento e passaram nove meses concentrados exclusivamente no planejamento da cisão.

Outras 30 pessoas se dedicaram ao assunto durante 50% do expediente e mais de 200 contribuíram de alguma maneira com as decisões.

Além da divisão interna e da comunicação com o mercado, havia também o trabalho de separar os clientes  e muitos deles tinham contratos que envolviam tanto a unidade de serviços corporativos quanto a de computadores e impressoras.

“Fizemos aditivos contratuais e nenhum cliente se recusou a colaborar. O processo foi tranquilo e fechamos o ano fiscal em outubro (já com as operações divididas) sem impactos financeiros, não deixamos de honrar nenhum compromisso”, contou Luciano Corsini, presidente da Hewlett Packard Enterprise, em entrevista a EXAME.com.

De acordo com ele, a transição bem-sucedida foi possível graças ao foco da equipe.

“Desde o início, ficou muito claro que quem não fazia parte das ações do SMO precisava continuar desempenhando o seu papel normalmente. O pessoal saberia das decisões quando tivesse que saber”, disse.

O resultado global da Hewlett Packard Enterprise será divulgado em algumas semanas e, por isso, a empresa está em período de silêncio e não pode comentar os números do último trimestre no país, nem revelar provisões.

“Mas o mercado no qual passamos a atuar a partir de agora movimenta 1 trilhão de dólares no mundo todo e deve crescer cerca de 4% nos próximos três anos. Haverá boas oportunidades desde que tenhamos capacidade, agilidade e oferta”, afirmou Corsini.

Demissões

A Hewlett Packard Enterprise, que tem aproximamente 250.000 empregados globalmente, divulgou que deve demitir até 30.300 deles por conta da cisão, dentro de três anos. O objetivo seria reduzir custos.

“Aqui (na operação brasileira) não houve troca de pessoal devido à separação. Exceto por saídas e entradas eventuais e promoções (ocorreram muitas), a equipe foi dividida integralmente”, afirmou.

De acordo com ele, os desligamentos anunciados podem nem chegar ao país.

“Eles serão feitos dependendo da geografia, da situação de cada local, com muito cuidado. Esse número será diluído entre os 170 países em que a companhia está presente, em um grande período de tempo. Será como um turnover natural, mas sem reposição”, disse.

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