Governo não quer ver o BTG “sangrar até a morte”

Medidas tomadas até aqui pelo banco como saída para a crise são consideradas "óbvias"

Brasília – A equipe econômica do governo federal está acompanhando de perto a atuação do BTG Pactual e acredita que as ações tomadas até agora pela instituição vão ajudá-la a não “sangrar até a morte”, ao contrário da visão mais pessimista de uma parte do mercado.

A equipe econômica garante que não está forçando a instituição a adotar uma estratégia específica. As medidas tomadas até aqui pelo banco como saída para a crise são consideradas “óbvias”.

A cartilha prudencial diz que uma instituição que está em situação desconfortável precisa fazer um esforço adicional para conter as saídas e trilhar o caminho já conhecido por quem atua no sistema, como reduzir crédito, incentivar pré-pagamento de operações, diminuir posição no mercado de derivativos e vender ativos.

Por isso, a avaliação é de que será possível para o BTG avançar nas vendas de ativos sem a necessidade de se desfazer do “core” da instituição, com ajuste de valor para baixo.

Com isso, a situação se torna mais favorável até para a saúde futura do banco. A visão da equipe econômica sobre a linha de crédito de R$ 6 bilhões concedida ao BTG por meio do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) é semelhante à do próprio Fundo, de que a quantia é suficiente para trazer alívio à instituição por cerca de seis meses.

Durante evento em São Paulo, na semana passada, o diretor jurídico do FGC, Caetano Vasconcellos, avaliou que o volume total da linha de crédito disponível para o BTG é suficiente para atender às necessidades da instituição até o balanço do primeiro semestre de 2016.

Evidentemente que as ações não podem parar por aí, na opinião da equipe econômica.

Por isso, o banco tem buscado se desfazer de outros ativos para engordar o caixa. “Neste momento de falta de credibilidade, tem de fazer opção por liquidez.”

Ao mesmo tempo em que o mercado acompanha de perto qualquer informação que diga respeito ao banco, medindo as altas e baixas das ações, também ficou ainda mais minuciosa a função dos órgãos reguladores, que têm acompanhado todos os passos da instituição em tempo real.

O contato está mais próximo, assim como o acompanhamento de caixa, e as informações passaram a circular em níveis hierárquicos do mais alto escalão dentro do governo.

Do dia da prisão de André Esteves, em 25 de novembro, até quinta-feira, as units (pacote ativos) do banco caíram quase 60%.

Na sexta-feira, mudaram de rota e chegaram a subir mais de 6% diante da expectativa, na visão da equipe econômica, de fôlego extra obtido com a venda de ativos. Esta foi a segunda vez, desde o fim de novembro, que os papéis do BTG sobem.

O leilão de ações da BR Properties, que teve a GP Investments como principal comprador, foi visto dentro do governo como uma “notícia boa”. Em princípio, prevalece a análise de que as medidas adotadas pelo banco para incrementar sua liquidez estão funcionando.

“O BTG não está começando a sangrar. Ao contrário. O banco vende carteira, vende ativos.

Estou bastante otimista em relação à capacidade da instituição de passar por esse momento de estresse”, comentou uma fonte do governo, reforçando a importância de o banco ter atuado nas duas frentes mais urgentes: a de liquidez e a de governança.

O vaivém dos papéis do banco não deve cessar tão cedo, pois o momento é de muitas incertezas.

Há uma avaliação em Brasília de que, além da questão da credibilidade que afeta o banco, um componente extra faz as ações oscilarem com mais força: o fato de as units estarem nas mãos de poucos agentes. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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