As interrogações da Kroton

O ano de 2017, como já se sabe a essa altura do campeonato, será desafiador para boa parte das companhias brasileiras por uma combinação de dívida alta e economia frágil. O grupo de ensino Kroton, uma das companhias que mais cresceram no país nos últimos cinco anos, terá outro tipo de pedra no caminho: uma total incerteza sobre seu próprio futuro.

Uma das principais incógnitas da companhia em 2017 é sobre o financiamento estudantil do governo, o Fies. O ministro da Educação, Mendonça Filho, já disse que pretende reformular o programa, só não disse como. O financiamento garantido pelo governo a novos alunos foi o maior impulsionador do crescimento da Kroton e de outras universidades privadas nos últimos anos. Poucas aproveitaram tanto a benesse sem riscos quanto a Kroton –  46% de seus alunos de graduação presencial são bancados pelo governo.

Em novembro, o Tribunal de Contas da União abriu uma investigação para apurar fraudes no Fies. Entre as irregularidades estão casos de estudantes que conseguiram acesso ao programa mesmo tendo condições de pagar o curso universitário. O TCU critica o as instituições por terem inflado seus lucros com o financiamento. Recentemente, um site misterioso acusou a  Kroton de cobrar mais caro dos alunos bancados pelo governo do que dos estudantes tradicionais.

A Kroton ainda precisa definir como fica a fusão com sua maior concorrente, a Estácio. A decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre o processo só deve sair na metade de 2017. Para a aprovação, a Kroton estuda se desfazer dos negócios de ensino à distância (EAD) da Estácio. O problema é que na Estácio o EAD é integrado com o ensino presencial – a base de alunos do presencial e do EAD são uma só. “Para vender o EAD neste caso seria preciso criar uma nova companhia. Eles teriam muitas dificuldades operacionais e não sei se do ponto de vista regulatório isso é possível”, diz Bruno Giardino, analista do Banco Santander.

Para analistas do banco Citi, investidores devem ficar longe da ação da empresa – até pouco tempo uma das queridinhas da bolsa – porque os papéis devem sofrer com os possíveis problemas na fusão com a Estácio. Nos últimos cinco anos, as ações da companhia valorizaram 480%. Neste mês caíram 15%. Pode ser um tropeço, pode ser um prenúncio.

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