Kroton vê espaço para melhorar oferta por Estácio, diz fonte

A Kroton está disposta a melhorar a oferta de compra da Estácio e voltará a se reunir com o Conselho de Administração da concorrente ainda esta semana

Rio de Janeiro/São Paulo – A Kroton Educacional, maior companhia de ensino superior privado do Brasil, está disposta a melhorar a oferta de compra da Estácio Participações e voltará a se reunir com o Conselho de Administração da concorrente ainda esta semana, em que vai tratar objetivamente do assunto, disse à Reuters uma fonte próxima às negociações nesta quinta-feira.

“O mercado está pagando um prêmio pelas ações da Estácio que pressupõe uma relação de troca de 1,15 (papel da Kroton por ação da Estácio)”, disse a fonte, que falou sob condição de anonimato.

“A Kroton sabe que vai ser necessário algum tipo de prêmio e é justo algum tipo de prêmio, com base no preço (das ações) em 1º de junho (véspera do anúncio da intenção de compra da Estácio)”, disse a fonte. “Essa é uma base que a Kroton vai discutir”, acrescentou.

Ainda conforme a fonte, a Kroton está “absolutamente convicta” e pronta para fechar o negócio em dias, mas ainda não está claro como as negociações com a Estácio vão se desenrolar. Quando anunciou a intenção de aquisição da rival, em 2 de junho, a Kroton citou uma relação de troca de 0,977 ação de sua emissão por cada ação da Estácio.

Três dias depois, em 5 de junho, a Ser Educacional apresentou proposta de combinação dos negócios com a Estácio, em uma oferta em dinheiro e ações, rivalizando com a Kroton e expondo uma rápida movimentação entre as principais empresas privadas de educação no país.

A ação da Estácio na Bovespa saltou quase 33 por cento desde a sondagem inicial da Kroton, que viu seu papel acumular ganho de 15,2 por cento. A ação da Ser, por sua vez, teve valorização de 4,1 por cento desde que fez oferta de combinação com a Estácio.

REUNIÃO

Segundo a fonte, os conselheiros da Estácio fizeram roadshow em Nova York nos últimos dias para ouvir impressões de acionistas. Com o retorno deles, representantes da Estácio e da Kroton voltarão a se reunir ainda esta semana para falar sobre o acordo e a relação de troca será tratada objetivamente, disse a fonte.

“A Kroton está totalmente focada em fazer uma transação negociada e não trabalha com oferta hostil”, afirmou a fonte. A Kroton também está disposta a mudar a ordem de etapas da transação para garantir aos acionistas da Estácio que não acontecerá uma modificação na relação de troca depois que o acordo for firmado, como ocorreu no caso da compra da Anhanguera pela Kroton em 2013.

A companhia pode garantir isso realizando assinatura do acordo e na sequência colocando a operação em votação por assembleias de acionistas das duas empresas. Após isso, o negócio seria submetido à aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A operação da Anhanguera teve as assembleias após a decisão do Cade sobre o negócio, que levou mais de um ano para sair. Como nesse intervalo a Kroton teve desempenho operacional superior ao da Anhanguera, a relação de troca de ações inicialmente combinada deixou de ser válida e as empresas revisaram os termos da união.

Isso ainda não foi negociado e será proposto caso seja uma necessidade verificada pelos conselheiros da Estácio.

REMÉDIOS NO CADE

Analistas do setor e especialistas em concorrência consideram que a aquisição da Anhanguera pela Kroton em 2013 será considerada como jurisprudência para o Cade avaliar a eventual compra da Estácio.

No ensino presencial, uma análise preliminar feita pela Kroton concluiu que as duas companhias têm concorrência relevante em cinco municípios que exigiriam um tratamento agressivo do Cade, segundo a fonte.

A concentração mais relevante, porém, é no ensino a distância. Considerando o remédio mais agressivo que o Cade poderia impor no segmento a distância –a venda de 100 por cento dos ativos do segmento da Estácio– e no presencial, o impacto seria em torno de 5 por cento na receita líquida das duas empresas combinadas.

Uma das hipóteses, segundo a fonte, pode ser a venda da Uniseb, que representa 50 por cento do ensino a distância da Estácio e mais alguns “remédios comportamentais”, como não oferecer a vestibular para esse formato em algumas cidades por um determinado período. Procurada, a assessoria de imprensa da Kroton não comentou as tratativas para compra da Estácio.

Texto atualizado às 18h38

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