Na Flórida, laranjais são dizimados por invasor asiático

Queda de 82 % em relação ao total de 149,8 milhões de caixas desde o ano em que a bactéria que causa o Huanglongbing foi encontrada no sul da Flórida

São Paulo – As laranjas da Flórida estarão sob ameaça de destruição se os cientistas e o governo não puderem encontrar uma forma de impedir que um inseto asiático espalhe uma doença capaz de matar as laranjeiras.

A safra da fruta símbolo do estado poderia cair para 27 milhões de caixas até 2026, segundo um relatório de 21 de outubro do Departamento de Cítricos da Flórida.

Trata-se de uma queda de 82 % em relação ao total de 149,8 milhões de caixas de 2005, ano em que a bactéria que causa o Huanglongbing, mais conhecido como greening, foi encontrada no sul da Flórida.

A doença é espalhada pelo psilídeo asiático dos cítricos, um minúsculo inseto voador, e atualmente não existe cura conhecida. O greening já provocou prejuízos de US$ 7,8 bilhões ao setor e a perda de mais de 7.500 empregos entre 2006 e 2014, estima a Universidade da Flórida.

A perspectiva é “precária” para o setor cítrico da Flórida, que “poderá perder relevância e impacto econômico” a longo prazo se o rendimento da safra seguir caindo e as laranjeiras continuarem morrendo, disse o departamento de cítricos em seu relatório no dia 21 de outubro.

Safra menor

A safra atual encolherá para 74 milhões de caixas na temporada que começa em 1o de outubro, 24 % menos que há um ano e nível mais baixo desde 1964, disse o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês), em 9 de novembro.

A projeção sinaliza o quarto declínio sazonal consecutivo, maior crise desde 1913, pelo menos, mostram dados estaduais. Uma caixa pesa 41 quilos.

As perspectivas empurraram os preços do suco de laranja concentrado congelado para US$ 1,4785 por libra-peso (453 gramas) ontem na ICE Futures U.S. em Nova York, alta de 43 % em relação ao valor mais baixo deste ano, de US$ 1,0345, em 29 de setembro.

Em 13 de novembro, os preços tocaram US$ 1,607, nível mais alto desde junho de 2014. Isto está aumentando os custos para a Coca Cola Co., fabricante das marcas Minute Maid, e para a PepsiCo Inc., que vende Tropicana e Gatorade.

A demanda pelo suco favorito dos EUA caiu por causa das percepções do consumidor a respeito do alto conteúdo calórico do produto e da ascensão de alternativas como a água de coco.

Mesmo assim, a indústria da Flórida, que inclui a toranja (também conhecida como grapefruit) e especialidades em cítricos, ainda emprega cerca de 62.000 pessoas e tem um impacto econômico anual de US$ 10,7 bilhões no estado, segundo a Florida Citrus Mutual, maior organização de citricultores.

800 ovos

O psilídeo invasivo foi encontrado pela primeira vez na Flórida em junho de 1998 e atualmente está estabelecido em toda a região de cultivo cítrico do estado.

Ele se alimenta da seiva das folhas da laranjeira e pode transportar a bactéria que causa o greening por 1,5 quilômetro sem parar. Os insetos vivem durante cerca de um mês e as fêmeas podem por até 800 ovos no período.

Um estudo recente da Universidade da Flórida mostrou que os insetos voam mais cedo em seu ciclo de vida, mais frequentemente e para mais longe, quando estão infectados.

Embora a doença esteja matando plantações em outras áreas — inclusive no Brasil, maior produtor de laranjas do mundo –, o maior estrago ocorreu na Flórida, onde a expansão urbana e os danos com furacões ajudaram a diminuir os pomares de cítricos para 202.908 hectares, nível mais baixo em 50 anos.

A alta salinidade da água pode enfraquecer as árvores, tornando-as incapazes de combater a bactéria, e os ventos fortes das tempestades do Caribe transportam insetos para mais longe, até plantações saudáveis.

Além disso, existem mais fazendas pequenas na Flórida e muitas foram abandonadas ou são mal gerenciadas, o que permite que o inseto se prolifere, segundo Robert G. Shatters Jr., biólogo molecular, pesquisador do Laboratório de Pesquisa Horticultural do USDA em Fort Pierce, na Flórida, lugar descrito como o “epicentro do desastre”.

“O Brasil e os EUA adotaram estratégias completamente diferentes desde o início”, disse Ibiapaba Netto, diretor-executivo da associação CitrusBR, em São Paulo, maior estado produtor.

“Eles [americanos] investiram tudo para encontrar uma ‘bala de prata’ contra o greening, enquanto nós focamos em controlá-lo”.

Algumas fazendas foram capazes de conter a infecção e as plantações foram restauradas em algumas áreas antes devastadas pela doença, “o que significa que os produtores estão se tornando mais eficientes no combate a ela”.

Comentários
Deixe um comentário

Olá, ( log out )

* A Abril não detém qualquer responsabilidade sobre os comentários postados abaixo, sendo certo que tais comentários não representam a opinião da Abril. Referidos comentários são de integral e exclusiva responsabilidade dos usuários que escreveram os respectivos comentários.

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s