Na CCR, a Lava-Jato passa longe

A semana começa com a divulgação de resultados da maior empresa brasileira de concessões de infraestrutura de transportes, a CCR. O lucro deve vir 23% menor que o último trimestre de 2015, no valor de 188 milhões de reais, principalmente por conta da queda no tráfego das rodovias administradas pelo grupo.

O resultado ruim, entretanto, não deve ser um grande problema para as ações da companhia – que acumulam alta 47,7% nos últimos 12 meses (semelhante ao desempenho do Ibovespa, com alta de 53,9% no período). Investidores estão mesmo de olho no ano de 2017 – que deve ser marcado por novos investimentos da companhia e redução na taxa Selic. Segundo analistas do banco BTG Pactual, a CCR tem uma economia anual de 120 milhões de reais por ano em impostos a cada corte de 1 ponto percentual na taxa Selic. Só neste início de ano, o Banco Central já cortou 1,5 ponto percentual dos juros, atualmente em 12,25% ao ano.

Além da Selic, no início de fevereiro a companhia captou mais de 4 bilhões de reais no mercado com uma oferta restrita de ações. O objetivo é utilizar esse dinheiro para fazer aquisições e novos investimentos em ativos do grupo.

“Há um foco renovado em investimentos de infraestrutura no Brasil e há uma agenda clara para impulsionar esses investimentos. Vemos três caminhos: (1) novos leilões; (2) fusões e aquisições; e (3) alterações de contratos. Ao mesmo tempo, a maioria dos operadores de infraestrutura locais estão financeiramente frágeis, e a CCR agora mais capitalizada é a candidata natural para obter parte desses projetos”, afirmam analistas do banco BTG Pactual em relatório.

A companhia já afirmou que estuda algumas possibilidades de aquisição. Dois negócios são públicos: a compra da fatia da Odebrecht na ViaRio (concessionária da via expressa batizada de Transolímpica) e a compra da participação da Odebrecht na ViaQuatro, responsável pela operação da Linha 4 do Metrô de São Paulo. A empresa também avalia utilizar parte do dinheiro para investir em concessões que já tem – como na RodoNorte, no Paraná, onde há necessidade de investimentos de 2 bilhões de reais, e na ViaOeste, em São Paulo, com investimentos estimados de 800 milhões de reais.

Toda essa boa leva faz da CCR um fenômeno. A empresa, vale lembrar, é controlada por construtoras metidas até o pescoço na lama da Lava-Jato, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa (o grupo Soares Penido completa o bloco de controle). As construtoras já disseram que não pretendem se desfazer das ações. Os negócios envolvendo concessões tendem a se tornar cada vez mais importantes para essas companhias, diante dos problemas enfrentados na área de construção. Historicamente, a CCR conseguiu se blindar das polêmicas em torno de sua estrutura de controle. Em 2017, com os acordos de leniência dessas construtoras já firmados e muitos investimentos a fazer, a blindagem vai ser posta à prova.

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