Os gols nas finanças dos maiores times de futebol do Brasil

Após dois anos de EBITDA recorrente negativo, os times finalmente fizeram a lição de casa e sobrou dinheiro

São Paulo – Os clubes de futebol precisam de uma revolução contra a má gestão – e ela está a caminho. É o que diz o estudo anual do Itaú BBA sobre a situação dos clubes no último ano.

Os principais times do Brasil conseguiram aumentar suas receitas em 15% em 2015. Mas o ponto mais importante de seus balanços foi a manutenção dos custos e despesas.

Após dois anos de EBITDA recorrente negativo – as receitas menos os gastos excluindo ganhos com transferência de atleta, a análise do Itaú BBA afirma que os times finalmente fizeram a lição de casa. Com isso, a geração de caixa cresceu 250%, o melhor resultado desde 2010.

Os 27 maiores times do Brasil, analisados nesse estudo, também reduziram os investimentos para adequá-los ao ambiente macroeconômico mais difícil.

É a primeira vez nos últimos cinco anos que os times investem menos do que seu Ebitda – lucro antes dos impostos – o que evitou o aumento de suas dívidas. A alta foi menor que a inflação, de 4% para R$ 5,98 bilhões.

“O ponto negativo é que os investimentos continuam direcionados à formação de elenco”, diz o estudo.

Enquanto 62% foram direcionados a contratações, apenas 16% acabaram nas categorias de base, que deveriam ser o grande foco dos clubes, afirma a análise.

Os dados constam na 6ª edição do estudo “Análise Econômico-Financeira dos Clubes de Futebol Brasileiros|2016”, realizado pelo Itaú BBA.

O levantamento é baseado exclusivamente nos balanços oficiais e informações públicas veiculadas na imprensa, sem consultas explicativas aos times analisados.

Receitas

Em 2015, as receitas totais cresceram 15% e alcançaram R$ 3,64 bilhões. Após um ano difícil como 2014, quando houve queda de 2%, a alta nas receitas merece ser celebrada, diz o estudo.

Nas receitas recorrentes, excluindo as vendas de direitos econômicos de atletas, a alta foi de 16%.

O faturamento de direitos de TV cresceu impressionantes 25%, para R$ 1,54 bilhão. Esta receita é a soma do que é obtido via Campeonato Estadual, Copa do Brasil, Libertadores e Campeonato Brasileiro. Este último representa entre 70% a 80% do total.

As receitas com publicidade tiveram um desempenho muito mais tímido, com crescimento de apenas 3%.

Segundo o estudo do Itaú, ao lado da crise econômica que diminui os gastos em marketing das companhias, “ano a ano o Futebol parece deixar de ser uma opção de investimento do mercado publicitário”.

Flamengo e Corinthians são os times que mais faturam com publicidade. Em 2015, entretanto, eles dividiram espaço um novo player: Palmeiras.

“Fruto de um contrato calcado num único sponsor, o Palmeiras viu suas receitas com publicidade crescerem 201% e se tornou a segunda maior receita publicitária entre os clubes Brasileiros”, diz o estudo.

Já as receitas vindas da bilheteria e programas de sócio torcedor apresentaram uma pequena queda.

Enquanto alguns clubes conseguem praticamente 100% de suas receitas com Sócio Torcedor, outros ainda exploram pouco essa modalidade.

O Itaú BBA havia divulgado uma análise preliminar em maio.

Veja abaixo os números atualizados dos 27 maiores times de futebol do Brasil.

Clubes Total de receitas em 2015 (em milhões de reais) Total das despesas em 2015 (em milhões de reais) Saldo (em milhões de reais)
Flamengo 339 -25 314
Palmeiras 301 -47 254
Corinthians 298 -23 275
Cruzeiro 289 -24 265
São Paulo 284 -24 260
Atlético Mineiro 245 -20 225
Internacional 242 -48 194
Vasco 190 -115 75
Grêmio 185 -86 99
Fluminense 174 -25 149
Santos 168 -34 134
Atlético Paranaense 129 -15 114
Botafogo 121 -49 72
Bahia 89 -7 82
Sport (Recife) 88 -17 71
Coritiba 86 -23 63
Goiás 75 -10 65
Ponte Preta 54 -1 53
Vitória 52 -6 46
Figueirense 48 -7 41
Chapecoense 46 -3 43
Joinville 40 -4 36
Avaí 32 -3 29
América Mineiro 29 -8 21
Criciúma 19 -4 15
Náutico 18 -6 12
Santa Cruz 15 -5 10

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