Para Ford, setor automotivo terá um 2016 pior que 2015

Ganho de participação de mercado no ano não o suficiente para a companhia compensar a perda de faturamento com a retração do consumo

São Paulo – Assim como para as concorrentes, 2015 não foi um bom ano para a Ford na América do Sul. De janeiro a novembro, as vendas da montadora caíram 25,2%.

No período, a companhia liderou nichos importantes, como o de hatches médios. Sua participação no mercado brasileiro subiu 1,3 ponto percentual e atingiu 10,6%.

Ainda assim, não foi o suficiente para que a empresa compensasse a queda de faturamento com as vendas menores.

Pelas contas da montadora, o mercado automotivo do país encolheu em 1,5 milhão de veículos desde 2013, o que tornou a disputa no setor ainda mais acirrada.

E as coisas devem seguir pelo mesmo caminho em 2016.

“Talvez tenhamos um ano ainda pior para o país do que foi 2015”, afirmou o presidente da Ford para América do Sul, Steven Armstrong, no evento da empresa com jornalistas.

A expectativa da Ford é que 2015 feche com até 2,2 milhões de veículos vendidos. E o número deve ser ainda menor – ou se manter o mesmo – em 2016.

De acordo com ele, as empresas não imaginavam que o ano seria tão desastroso política e economicamente, como foi. A melhora deve acontecer a partir de 2017.

“Neste cenário, o jeito foi arregaçar as mangas e focar no que se faz de melhor – e foi o que fizemos”, afirmou.

Além de sistemas de cortes de custos severos, a empresa passou a focar em produtos de margens melhores, linha que deve ser seguida para o próximo ano.

O plano é que 10 novos caminhões e 6 novos carros da marca cheguem ao mercado em 2016.

Uma prévia de um deles foi apresentada no evento. O novo Ford Edge chega ao Brasil no primeiro semestre de 2016 e traz novidades no interior e tecnologia.

Sem direção

Para Rogelio Golfarb, VP de estratégia de Negócios da Ford América do Sul, a empresa está acostumada a lidar com crise, porque já passou por várias e em vários países.

“Lidamos com a crise baseados em bons planejamentos”, disse ele. “O desafio do Brasil hoje é que não temos certeza de nada, o que nos deixa sem direção”.

Goldfarb não confirmou se haverá reajuste de preços, mas disse que o aumento de custos fez com que a empresa passasse a ganhar menos que a inflação em 2015.

Pensar em cortes de custos mínimos, neste cenário, passou a ser rotina e inclui o controle de telefonemas diários, de cópias de xerox feitas e menos viagens e eventos.

O plano de demissões voluntárias na fábrica de São Bernardo do Campo e o corte do terceiro turno da fábrica de Camaçari, em 2016, também são parte dessa estratégia.

“Estamos fazendo de tudo para passar por essa etapa porque o Brasil é um mercado importantíssimo para nós”, disse o executivo. 

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