Sem chegar a acordo, Air France ameaça cortar 2.900 empregos

O presidente-executivo comunicou aos representantes dos trabalhadores que ano que vem o elenco será reduzido em mil postos mediante saídas voluntárias

Paris – A direção da Air France, submetida à pressão de uma greve nesta quinta-feira que não se traduziu em anulação de voos, reiterou hoje sua ameaça de cortar 2.900 empregos se não chegar a um acordo antes do fim do ano com os funcionários que permita aumentar a competitividade da empresa.

O presidente-executivo da companhia aérea francesa, Frédéric Gagey, comunicou aos representantes dos trabalhadores que, aconteça o que acontecer, ano que vem o elenco será reduzido em mil postos mediante saídas voluntárias, essencialmente pré-aposentadorias.

Em declaração à imprensa no meio da reunião com o comitê da empresa, Gagey também reafirmou o número global de corte em 2.900 empregos, parte em demissões, se não houver compromisso para reduzir os custos operacionais, em particular com os pilotos, no resto de 2015.

A empresa já havia anunciado o plano de corte no último dia 5, o que provocou uma violenta reação de um grupo de trabalhadores contra os dirigentes que foram ao encontro com os sindicatos e que saíram com suas camisas totalmente rasgadas, em imagens que deram a volta ao mundo.

O responsável executivo da companhia aérea se negou a qualificar sua proposta de chantagem e argumentou que a Air France “está submetida a uma forte concorrência”.

Enquanto Gagey falava diante das câmaras em um edifício do distrito mais burguês de Paris – para onde foi remanjeada a reunião com os sindicatos para que os incidentes não se repetissem, ao redor de mil trabalhadores se manifestavam em frente a Assembleia Nacional.

A greve convocada por quatro dos grandes sindicatos da companhia não teve impacto na atividade da companhia. Nenhum dos 994 voos programados para hoje foram cancelados, disse à agência Efe um porta-voz, e só foram constatados “ligeiros atrasos” em poucas rotas.

Sobre o incidente, Gagey disse que a ação da justiça contra os cinco funcionários que foram detidos não está em suas mãos e que as imagens dos incidentes doeram nele porque “não era o verdadeiro rosto da Air France”.

“Não podemos aceitar a violência como meio para resolver um problema, seja ele qual for”, acrescentou.

Na frente sindical, Miguel Fortea, secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT) da Air France, se queixou de, apesar das explicações dadas pela direção, “continuarem na mais absoluta escuridão”, porque não receberam informações detalhadas sobre quais grupos seriam afetados pelos cortes.

François Dimino, representante de Força Operária (FO), denunciou as constantes exigências da empresa: “Já basta, já basta que nos peçam esforços”.

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