ThyssenKrupp foca em exportações com mercado interno

A unidade brasileira do conglomerado industrial alemão ThyssenKrupp continuará focada em exportações no próximo ano

São Paulo – A unidade brasileira do conglomerado industrial alemão ThyssenKrupp continuará focada em exportações no próximo ano, em um momento em que a economia do país caminha para ter a mais longa recessão desde os anos 1930.

No Brasil, a empresa tem metade de seu faturamento advindo da produção de aço semiacabado para exportação. No ano fiscal de 2015, que terminou em setembro, a receita cresceu cerca de 8 por cento, metade do ritmo do ano anterior, a 9,9 bilhões de reais.

“Realmente, a situação não é tão maravilhosa na região (América do Sul) e principalmente no Brasil quanto em anos anteriores”, disse o presidente regional da ThyssenKrupp para América do Sul, Michael Höllermann, à Reuters.

Segundo ele, a companhia, que tem cerca de 12 mil funcionários no Brasil, está conseguindo manter o nível de emprego por meio mecanismos como redução de jornada em fábricas e adesão ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE) do governo federal, na esperança de que a economia volte ao crescimento. Além disso, a demanda por aço de alguns segmentos seguem elevadas, como energia eólica, afirmou o executivo.

“Não acho completamente impossível o Brasil reagir se ganhar um pouco de confiança. As demandas de infraestrutura, mobilidade e energia existem… Temos que nos preparar para essa retomada (da economia)”, disse. A economia brasileira encolheu mais do que o esperado no terceiro trimestre sobre os três meses anteriores, com destaque para a fraqueza dos investimentos, sinal de que uma recuperação ainda está longe. O PIB do Brasil recuou 1,7 por cento de julho a setembro contra o período imediatamente anterior, no terceiro trimestre seguido de contração.

Höllermann evitou fazer projeções específicas para o desempenho da ThyssenKrupp no Brasil no próximo ano, mas afirmou que a empresa por enquanto mantém a projeção de investimentos de 2 bilhões de reais para os próximos cinco anos.

“Mantemos os investimentos, mas isso sempre tem relação com o mercado. Não vamos investir em capacidade ociosa. Se por algum motivo o mercado (interno) não voltar, vamos ter que ampliar o prazo (de desembolsos)”, disse.

“O que está por trás desse investimento não são puros aumentos de capacidade produtiva”, acrescentou, citando implantação de tecnologias na área de componentes automotivos e melhorias operacionais na Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), sua controlada.

Höllermann afirmou que a CSA, que reúne as atividades de produção de aço da ThyssenKrupp no Brasil, teve no ano fiscal de 2015 seu primeiro equilíbrio financeiro, após sucessivos prejuízos. O desempenho foi guiado pela desvalorização do real contra o dólar, que tornou a fábrica mais competitiva, e por melhorias operacionais.

A usina que fica no Rio de Janeiro tem capacidade nominal para produzir 5 milhões de toneladas de aço bruto por ano e está mantendo desde o ano passado ritmo de 4 milhões de toneladas, disse o executivo. Segundo ele, o excesso de capacidade global na indústria siderúgica tem impedido a CSA de elevar a produção.

O desempenho da CSA contrasta com o da maior produtora de aços planos do Brasil, a Usiminas, que é focada no mercado interno e anunciou em outubro parada de produção de aço em Cubatão (SP) e demissão de 4 mil funcionários.

A produção brasileira de placas do Brasil acumula crescimento de 16 por cento neste ano até outubro, a 6,57 milhões de toneladas, principalmente pela retomada de alto-forno da ArcelorMittal em julho de 2014.

A produção de placas da CSA é despachada para ser laminada nos Estados Unidos, mercado que está atravessando um “momento bom” devido ao desempenho do setor automotivo local, disse Höllermann. Porém, o executivo afirmou que a concorrência nos EUA está muito forte por exportações de países como a China.

SEM NEGOCIAÇÃO SOBRE CSA

Höllermann disse que a ThyssenKrupp não está envolvida “neste momento” em nenhuma negociação para tentar retomar a venda da CSA. Ele comentou que a companhia ainda considera que faz mais sentido a CSA ser incorporada por algum grupo que possa desenvolver atividades de laminação.

“Todas as aciarias produzem de forma integrada. Uma empresa como uma ilha, fazendo material intermediário, normalmente tem mercado muito pequeno. Esta planta vale mais para alguém que tem a cadeia completa do aço. No médio a longo prazos alternativas poderiam aparecer”, disse Höllermann, sem dar mais detalhes.

Sobre a área de elevadores, responsável por 15 por cento do faturamento do grupo no Brasil, ele afirmou que a empresa está ampliando exportações de sua fábrica em Guaíba (RS) para outros países da América do Sul, com destaque para a Colômbia, diante da lentidão do mercado de construção civil brasileiro.

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