Uma solução para os Correios

Em reunião com a equipe ministerial ontem, o presidente interino Michel Temer pediu a elaboração de estudos para reorganizar a gestão de um dos maiores pepinos na mão do governo: os Correios. A empresa fechou 2015 com prejuízo de 2,1 bilhões de reais e espera-se um novo rombo no final de 2016. O fundo de pensão da companhia, o Postalis, perdeu 6 bilhões de reais desde 2012. Para piorar, o serviço tradicional da empresa, entregar cartas, perde importância a cada dia. Qual a saída?

A ideia do governo é criar uma holding controlada pelos Correios. Ligadas a ela estariam subsidiárias com sócios privados como gestores. Michel Temer já afirmou que não pretende privatizar totalmente os Correios por se tratar de uma marca “emblemática” do Brasil (foi criada em 1663). Em paralelo, é preciso melhorar os resultados. Em junho, as tarifas foram elevadas em 10%, podendo aumentar os ganhos em 300 milhões de reais até o final do ano.

Outra saída é intensificar a entrega de pacotes, como tem feito outras empresas postais pelo mundo (neste mês, os Correios cuidam das entregas dos Jogos Olímpicos). Nos Estados Unidos, o volume de pacotes enviados subiu de 3,1 bilhões para 3,8 bilhões. Por lá, também discute-se privatizar o serviço postal americano, o USPS, que tem 600.000 trabalhadores e faturou 67 bilhões de dólares em 2013, com lucros modestos.

Outros países já privatizaram suas empresas, ou abriram o mercado. A Suécia abriu mão do monopólio em 1993, a Holanda privatizou em 1994 e abriu o serviço para a concorrência em 2009. Na Alemanha, 79% das ações do Deutsch Post estão na bolsa desde 2000 e o mercado é competitivo desde 2008. No ano passado, o governo do Japão abriu o capital do Japan Post e arrecadou 12 bilhões de dólares (o processo de privatização começou há dez anos). Soluções pelo mundo não faltam. A pior opção na mesa é deixar tudo como está.

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