Você é gay? Seu chefe quer saber, mas não se preocupe

Debate sobre sexualidade deixa de ser tabu nas empresas que querem proporcionar mais bem-estar aos seus funcionários

Você é gay? Para o bem ou para o mal, essa pergunta deixou de ser tabu no ambiente de trabalho.

O departamento de recursos humanos do JPMorgan está perguntando aos funcionários pela primeira vez neste ano se gostariam de revelar sua orientação sexual ou identidade de gênero. Empresas como Facebook, Deutsche Bank, IBM e AT&T também coletam os dados. 

Segundo um indicador, quase metade das maiores empresas dos EUA — pressionadas para serem inclusivas na disputa por talentos — quer reunir informações sobre quem na folha de pagamento é homossexual, bissexual ou transgênero a fim de desenvolver planos de benefícios melhores e para que os gerentes possam avaliar promoções que fomentem a diversidade.

“Hoje em dia, não é esquisito coletar esses dados”, diz Gary Gates, demógrafo aposentado do Instituto Charles R. Williams da Faculdade de Direito da UCLA.

Depois que a Suprema Corte dos EUA legalizou o casamento igualitário e os militares abandonaram a política do ‘não pergunte, não conte’, “há muito menos medo e estigma”.

Pode ser verdade, mas o perigo é suficiente para que a Chevron tenha decidido não fazer a pergunta depois que uma avaliação identificou riscos à segurança das informações. 

Muitos dos que estudaram o assunto optaram por não seguir adiante, diz Michelle Phillips, advogada da Jackson Lewis em White Plains, Nova York, que assessora empresas sobre legislação trabalhista. 

Michelle diz que uma das preocupações é que um funcionário desonesto possa vazar a informação para prejudicar um colega ou uma colega.

Empesas cuidadosas

Há uma série de preocupações — incluindo a legalidade em 28 estados, de Montana a Virgínia, de discriminar alguém por não ser heterossexual. 

O assunto é mais premente para pessoas que trabalham ou viajam a trabalho para os mais de 76 países onde a homossexualidade é crime. 

As empresas são cuidadosas: a American Express, que coleta detalhes sobre a orientação sexual nos EUA há 10 anos, só adicionou a pergunta a respeito da identificação de gênero nos países onde a homossexualidade é garantida por lei, diz Chris Meyrick, diretor de diversidade da empresa. As empresas que fazem essas perguntas deixam claro que a resposta é voluntária.

Para o ex-diretor financeiro da Ford Motor, Allan Gilmour, que se declarou gay nos anos 90 após ser preterido duas vezes para o cargo de CEO, é uma grata surpresa que os empregadores estejam interessados. 

“Eu nunca adivinharia, 20 anos atrás, que seriam feitas perguntas desse tipo”, diz ele. Na época, o melhor era trabalhar sob a máxima “isso não é assunto de ninguém, só meu”.

Tom Barefoot, gerente de planejamento estratégico e vice-presidente sênior do Wells Fargo em Charlotte, Carolina do Norte, foi um dos empregados que encorajaram o banco a adotar a política da autoidentificação em 2011. 

“Quando eu finalmente cliquei naquele item que perguntava sobre minha orientação sexual, foi como se o tempo tivesse parado”, diz ele. “Eu realmente estava colocando no nosso sistema de RH que eu sou gay? A sensação foi muito boa”.

Sentimentos contraditórios

O JPMorgan começou a fazer a pergunta em 2007 em pesquisas anônimas e os trabalhadores LGBT abordaram a direção para que ela passasse a fazer parte do sistema de recursos humanos. Eles queriam “se tornar visíveis”, diz Therese Bechet Blake, chefe de diversidade do setor corporativo. 

Mas na EY “houve certa indignação” quando, cinco anos após a abordagem anônima, a firma de consultoria colocou a pergunta na papelada de recursos humanos, em 2014, conta a diretora de inclusão, Chris Crespo.

Os mais preocupados eram aqueles que viajam a países onde a homossexualidade é crime, diz ela. “Despertaram-se sentimentos muito contraditórios”.

Michael Elliott, diretor-executivo de prática de consultoria da EY em Dallas, diz que seu temor inicial era que “não queríamos que as pessoas se sentissem obrigadas a dizê-lo”.

“É totalmente incrível que a forma de pensar tenha começado a mudar”, diz ele. “Há apenas 10 anos, nas empresas menores, você poderia ser facilmente demitido ou seguia-se a ideia militar do ‘não pergunte, não conte’”.

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