Volkswagen segue na corda bamba após escândalo de fraude

Nos Estados Unidos, as autoridades proibiram a venda dos modelos a diesel da Volkswagen em 2016

A gigante alemã Volkswagen, imersa em uma profunda crise pelo escândalo dos motores adulterados, continuava na corda bamba neste sábado com a proibição da venda de seus modelos a diesel em vários países.

Nomeado na sexta-feira para substituir Martin Winterkorn à frente do grupo, Matthias Mueller, então presidente da Porsche, prometeu esclarecer o caso que fez a companhia perder milhões de euros, além de ameaçar a reputação da indústria alemã.

Nos Estados Unidos, as autoridades proibiram a venda dos modelos a diesel da Volkswagen em 2016. Além disso, o país reforçará os controles de todos os veículos a diesel de todas as marcas.

Por sua vez, a Suíça anunciou a suspensão da venda de novos modelos diesel potencialmente equipados com motores adulterados, enquanto a França realizará controles aleatórios a partir da próxima semana.

Já o governo espanhol poderia cobrar da Seat, filial local da Volkswagen, o reembolso do auxílio concedido a carros fabricados com motores fraudados, vendidos durante campanhas de promoção de desempenho.

“Na medida em que esses carros foram vendidos principalmente através da ajuda a veículos de desempenho, vamos logicamente propor reembolso”, declarou neste sábado o ministro espanhol da Indústria, José Manuel Soria.

Segundo o jornal El Pais, Seat instalou mais de meio milhão de motores fraudados em veículos da marca desde 2009.

A UE instou todos os países europeus a realizar controles. E neste sentido, Índia e México anunciaram sua intenção de analisar os veículos Volkswagen vendidos em seu território.

Por outro lado, a gigante alemã começa a sofrer mudanças de cunho econômico.

A holding Porsche SE, acionista majoritária da Volkswagen, anunciou neste sábado a compra de 1,5% de participação da VW da Suzuki. Esta holding, independente da marca Porsche, uma das doze marcas da Volkswagen, disse que a aquisição é um “sinal de fé” para a Volkswagen.

A saída do fabricante japonês era esperada há tempos, uma vez que as relações entre os dois grupos não eram boas. Mas o anúncio, em meio à tempestade, é um novo desafio para os acionistas da Volkswagen, cujo título perdeu 34% em valor esta semana, causando a perda de mais de 20 bilhões de euros de capitalização de mercado.

Em 9 de novembro, em Berlim, uma reunião extraordinária dos acionistas se anuncia tensa

Na sexta-feira, o diretor da junta supervisora, Berthold Huber, classificou o caso de “desastre moral e político”. “Digo claramente que as manipulações dos testes de emissões são um desastre moral e político para o grupo”, completou Huber em uma breve coletiva de imprensa.

“Um pequeno grupo de pessoas causou um enorme prejuízo à Volkswagen”, disse Bernd Osterloh, que representa os trabalhadores no Conselho.

Em uma entrevista que será publicada no domingo no jornal alemão FAZ, o presidente da Daimler, Dieter Zetsche, afirma que seu grupo não foi afetado pelo escândalo e expressa sua “compaixão” para com Winterkorn.

Winterkorn anunciou sua demissão na quarta-feira e assumiu a total responsabilidade pelo escândalo, embora afirme que ignorava o fato.

O construtor alemão confessou nesta semana que instalou em 11 milhões de veículos no mundo todo um dispositivo para fraudar os controles antipoluentes e fazê-los passar por veículos mais ecológicos do que realmente são.

Só na Alemanha cerca de 2,8 milhões de veículos em circulação fabricados pelo grupo VW estão equipados com esse dispositivo fraudulento, declarou na sexta-feira o ministro alemão dos Transportes Alexander Dobrindt.

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