Clube de assinatura quer reviver hábito de ler com os filhos

A Leiturinha foi criada por três engenheiros a partir da experiência deles com os próprios filhos. Hoje, 15 mil famílias assinam o clube.

São Paulo – Algumas ideias de negócio surgem da própria experiência de vida de seus criadores. Esse foi o caso do engenheiro mecânico Guilherme Martins e dos engenheiros de computação Luiz Castilho e Rodolfo Reis: ainda que atuassem nas áreas de tecnologia e de marketing, eles olharam para dentro de casa na hora de imaginar um novo empreendimento.

Observando para suas próprias famílias, tiveram uma ideia: resgatar o antigo hábito de ler para os filhos, oferecendo como diferencial de serviço a comodidade e a curadoria típicas dos clubes de assinatura.

O empreendimento, chamado Leiturinha, atende hoje 15 mil famílias em mais de 2,5 mil cidades brasileiras – e já está planejando expandir para outros países.

História e motivações

Martins e Reis se conheceram em 2005, quando faziam um MBA em Tecnologia da Informação na Fundação Getúlio Vargas (FGV). Após o curso, trilharam caminhos diferentes: Martins foi para o mundo corporativo, na área de tecnologia; enquanto isso, Reis investiu no empreendedorismo, desenvolvendo softwares para empresas – inclusive para clubes de assinatura – e criando também um negócio de marketing digital.

No ano de 2013, os ex-colegas de MBA retomaram o contato de forma mais prática, compartilhando a experiência que ambos tinham com seus filhos e desenhando um novo empreendimento. Pouco tempo depois, Castilho entrou para o negócio.

“Conversando, nós percebemos que as crianças gostavam quando nós líamos histórias para elas. Depois, analisamos que não é apenas uma questão de incentivar a leitura, mas também de aproximar a família”, conta Martins.

A ideia é atender não só os pais que não sabem escolher o melhor livro para seus filhos diante da grande oferta – algo comum nas capitais -, mas também chegar a cidades onde não há tantas livrarias assim.

Começo

A Leiturinha começou como um empreendimento paralelo, em maio de 2014, dentro da empresa de desenvolvimento de software de Reis. No primeiro mês de negócio, 18 pessoas assinaram o clube.

“Os nossos maiores cuidados foram com a criação de marca e de personagens relevantes e também com a experiência da própria criança”, afirma o empreendedor.

Reis completa dizendo que a embalagem em que vêm os itens do clube foi repensada diversas vezes; hoje, um perfume é aplicado em todas as entregas e o nome da criança vem escrito à mão. No começo, também foi preciso testar a entrega pelos Correios e a entrega pessoal: os próprios empreendedores recebiam a entrega mensal e avaliavam se ela se mantinha intacta.

O investimento inicial foi de 500 mil reais, vindo de capital próprio dos fundadores. No final do primeiro ano de empreendimento, mil pessoas assinavam o clube. “Naquele momento, a Leiturinha já se pagava, mas ainda a tocávamos como um negócio paralelo. Em 2015, a gente tomou a decisão de realmente botar dinheiro no clube de assinatura”, explica Martins.

Como funciona?

A Leiturinha funciona por três modelos de assinatura: o Uni, que entrega um livro (34,90 por mês); o Duni, que entrega dois livros (54,90 por mês); e o Presente, com dois livros para quem quer fazer uma única entrega (69,90). Adesivos e marcadores acompanham o item principal.

Segundo Reis, a compra dos livros no varejo sai mais cara do que o pagamento do clube de assinatura – tanto pelo fato de a Leiturinha comprar em grandes quantidades quanto por eliminar intermediários, negociando diretamente com a editora.

Um dos diferenciais de todo clube de assinatura é o trabalho de curadoria – selecionar os melhores produtos dentro do setor do negócio. Isso não é diferente na Leiturinha. “A gente tem uma equipe de especialistas, psicólogos e pedagogos, e a gente também se envolve, como representantes dos pais. A gente faz uma seleção pensando em quais temas são interessantes elaborar por faixa etária”. O clube atende crianças de até dez anos de idade.

Além da faixa etária, há também a “faixa didática”: se os pais acharem que o filho precisa de um livro mais simples ou mais complexo, é possível pedir isso pela plataforma.

Após a escolha do livro ser feita por esse time, todos os meses os pais recebem junto uma carta pedagógica, explicando a justificativa de escolha pela obra e quais pontos poderiam ser trabalhados com a criança na hora da leitura. Segundo Martins, a Leiturinha está trabalhando para colocar mais conteúdo nessa carta – um pedido dos próprios assinantes.

Fora os livros do clube, a Leiturinha também oferece seleções especiais com temas que algumas mães sugerem: por exemplo, autismo, dinossauros, hora do banho e personagens da Disney. Essas coleções são episódicas e não possuem um preço médio, já que a quantidade de livros varia de coleção para coleção.

Parcerias

Além dos livros, o negócio também faz parcerias e inclui outros produtos. “A gente leva em consideração não apenas o aspecto comercial, mas também a relevância dessa parceria para nosso assinante. Pedimos que a empresa dê seu argumento de por que seu produto seria importante para complementar a nossa experiência”, diz Martins.

Como exemplo, Reis cita que a Suzano entregou um livro com um papel especial, reciclável, e também entregou sementes para que a família plantasse junta.

Além de empresas incluírem seus produtos na entrega do clube, a Leiturinha também faz parcerias nas quais seus livros são entregues para os clientes da empresa parceira. Por exemplo, uma companhia de seguros de vida entrega uma embalagem da Leiturinha para os clientes mais especiais, ressaltando o aspecto familiar do seguro oferecido.

Aplicativo

No ano passado, a Leiturinha anunciou que, além do clube de assinatura, também criaria um aplicativo com e-books para computadores e tablets. “A gente sempre fala em trazer uma experiência completa de leitura, querendo proporcioná-la a todo momento – sem fugir da realidade da popularização dos livros digitais”, afirma Reis. “Então, basicamente, criamos um Netflix de livros infantis. Os livros também passam pela curadoria e há a possibilidade de os pais gravarem vídeos lendo a história para o filho.”

“O legal foi que o aplicativo veio de um feedback dos próprios assinantes”, complementa Martins. “Eles diziam ‘eu adoro ler para meu filho, mas vivo viajando’. Então, desenvolvemos um modelo em que a história lida pela mãe ou pelo pai fica na nuvem, com acesso restrito apenas a esse assinante.”

O Leiturinha Digital é gratuito para quem já faz parte do clube de assinatura e contém cerca de 700 livros e 300 vídeos. Para assinar apenas a plataforma digital, sem entregas físicas de livros, o valor é de 12,90 por mês.

Planos

A meta do negócio é chegar a 30 mil assinantes até o fim deste ano e 100 funcionários (hoje, são 50). “A gente se colocou uma meta difícil, mas nós esperamos que nossas parcerias deem frutos no segundo semestre”, conta Martins.

Depois de consolidar-se no Brasil, o negócio fará um estudo de mercado sobre outros países para potencial expansão. Os empreendedores da Leiturinha afirmam que podem considerar um aporte em breve, mais pela parceria estratégica do que pelo investimento financeiro – ou seja, um fundo que realmente ajudasse na expansão para outros países.

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