Conheça a empreendedora que virou youtuber (e vive disso)

Dona do canal de culinária Dani Noce no Youtube, empresária conta com mais de 750 mil inscritos.

Os primeiros “Youtubers” surgiram há alguns anos atrás, quando fazer um vídeo na internet não tinha pretensão de ganhar com publicidade e muito menos pensar em faturamento de outras formas. Tudo o que eles queriam era falar sobre o que gostavam e compartilhar isso na internet. De uns tempos pra cá isso mudou, tem muita gente que transformou seu canal no Youtube realmente em um negócio e conseguir empreender nessa área se tornou o sonho de toda uma geração. Por meio de publicidade do Google, os usuários que possuem mais visibilidade e frequência de produção ganham dinheiro com seus canais.

O Startupi conversou com Dani Noce, dona do canal de culinária Dani Noce no Youtube que conta com mais de 750 mil inscritos. Ela é formada em Desenho de Moda pela FASM, MBA de Luxo na FAAP e Master em confeitaria e panificação pela Lenôtre e transformou 100% seu canal em um empreendimento. E Dani não está sozinha nessa, seu marido, Paulo Cuenca, é quem produz e edita todos os videos dos episódios que aparecem no canal.

Dani sempre teve seu próprio negócio, foi dona de lojas por 8 anos e nunca trabalhou para uma empresa com carteira assinada ou algo do tipo. Mas seu canal no Youtube aconteceu por acaso, quando começou nem sabia que isso poderia dar algum dinheiro e, na verdade, não deu durante muito tempo. Ela começou a subir vídeos no Youtube apenas para conseguir ter um link para para disponibilizar o material para algumas produtoras. “Minha meta era fazer um piloto de um programa que gostaria que entrasse em alguma grade de TV”, conta ela.

Hoje existem diversos canais de gastronomia no Youtube e Dani acredita que seu diferencial seja a maneira descontraída que conduz o programa, onde o processo é mais importante do que o resultado, se algo der errado nesse meio, ele se mantém na edição. Ela destaca também a parte da produção, a forma como filmam e editam, a maneira como tratam a marca e principalmente, como se comunica com seu público.

Seu público é 78% feminino e tem entre 18 e 35 anos. Sua relação com eles é a mais próxima possível, ela conta que responde o máximo de emails e comentários que consegue e tenta sempre estreitar sua relação com cada um deles.

Para monetizar seu canal, ela trabalha com ad-sense, branded content e product placement. Mas também dá muitas palestras, consultorias sobre mercado digital, faz presença em eventos, licenciamentos de produtos, venda de programas para TV, produção para outros canais no YouTube e conteúdo original comissionado no aplicativo Snapchat.

Além do canal, ela também comanda o site de confeitaria I Could Kill For Dessert, para quem quer começar a aprender a fazer algo na cozinha, lançou dois livros o “Por Uma Vida Mais Doce” e “A Receita da Felicidade” e também uma linha de esmaltes.

“Uma das fontes de renda que vislumbramos e achamos que ainda é pouco explorada é a de licenciamento de produtos. Seja com conteúdo original em formato de livros, ou com parcerias com indústrias já estabelecidas em um formato de licenciamento onde eu entro com a minha marca e com uma colaboração criativa. De alguma maneira todas essas empreitadas são extensões da minha marca e uma materialização física do conteúdo que produzo no youtube e nos blogs. Quanto aos livros, eu fico responsável por toda a criação das receitas, textos, fotos e estrutura editorial, já os esmaltes defino cores e linguagem visual. A vantagem de fazer essa parceria com uma editora é a capitalização das vendas. Eles chegam em lugares (lojas físicas) que eu sozinha não conseguiria estar”, conta Dani.

Dani acredita que o cenário do empreendedorismo feminino no Brasil é mais uma conquista e um eco do papel cada vez mais presente da mulher na sociedade. “Do lado de criação para plataformas digitais, eu considero cada blogueira, cada youtuber e cada vlogger uma empreendedora, pois a geração de conteúdo diária é só a ponta do iceberg do trabalho dessa galera. Normalmente uma só pessoa cria, faz o comercial, o atendimento, a câmera, o som, a edição. O pessoal que trabalha nessa área acha curioso quando algumas pessoas perguntam se não temos um emprego de verdade, pois a carga de trabalho é imensa. Desse ponto de vista, milhares de mulheres acabaram tendo uma voz forte no entretenimento e em comentários sociais e políticos. Isso acaba fazendo parte de um coro, de uma equação que resultou no debate cada vez mais intenso sobre o papel da mulher na sociedade e sobre os preconceitos de gênero”.

Para 2016 os planos de Dani são mais livros, mais produtos licenciados, info produtos, produção e consultoria para marcas e canais digitais. “2016 será o ano em que o mercado de vídeos nas plataformas digitais vai estar mais em alta no Brasil e acreditamos na migração da verba publicitária da pay TV para o YouTube. Isso vai impulsionar muito conteúdo original com maior valor de produção e a agregação de canais geridos por criadores, não apenas pelas networks tradicionais. Com certeza queremos estar presentes nesse momento histórico, não precisamos mais achar que o digital é um trampolim para outro lugar, o digital é o lugar”, finaliza Dani.

Texto originalmente publicado no Startupi.

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